Açores conquistaram o autogoverno para vencer a distância

O deputado único da IL no parlamento açoriano, Pedro Ferreira, disse que a autonomia foi o reconhecimento da maturidade política dos Açores para assumirem o governo do próprio destino, tendo conquistado o autogoverno para vencer a distância.




“Celebramos hoje o Dia da Região Autónoma dos Açores no ano em que assinalamos 50 anos da autonomia política e administrativa constitucionalmente consagrada. A conjugação destas duas celebrações obriga-nos a questionar não apenas o que fizemos da autonomia, mas aquilo em que nos estamos a transformar através dela”, afirmou Pedro Ferreira na sessão solene do Dia dos Açores, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.

Segundo o parlamentar da IL, a autonomia “não foi uma concessão, foi uma afirmação democrática, uma recusa da irrelevância”.

“[Foi] o reconhecimento de que os Açores tinham o direito e a maturidade política para assumirem o governo do seu próprio destino. Os Açores conquistaram o autogoverno para vencer a distância, superar o abandono, libertar energias criadoras e construir uma sociedade mais justa, mais esclarecida e mais próspera”, vincou.

O deputado da IL/Açores alertou, no entanto, que “nenhuma autonomia salva um povo que deixa de acreditar nas instituições democráticas e que desiste de si próprio”.

Por isso, na sua opinião, os 50 anos da autonomia “exigem mais do que celebração”.

“Exigem lucidez. Porque as sociedades não entram em decadência apenas pela pobreza material. Entram em decadência quando a ambição cede lugar ao conformismo, quando o interesse coletivo se submete à conveniência imediata”.

O eleito pela Iniciativa Liberal acrescentou que quando a política “deixa de ser um exercício de elevação moral para se transformar em simples administração da rotina, em gestão de egos, em desideratos partidários e em guerrilhas territoriais entre ilhas, qualquer autonomia que perde ambição, transforma-se numa administração de resignação”.

Pedro Ferreira também considerou “inquietante” que os açorianos se habituem à resignação de uma sociedade dependente, de uma geração inteira que olha para a emigração como destino inevitável e à “escassez de visão política estratégica”.

“Estamos a habituar os açorianos à ideia perigosa de viver abaixo da sua própria grandeza. Ora, nada poderia ser mais contrário ao espírito açoriano. Estas ilhas nunca foram obra da resignação. Foram erguidas sobre o heroísmo anónimo da persistência humana”, declarou.

O parlamentar referiu também que permanecer nos Açores “foi sempre um ato de coragem”, por isso, a maior ameaça à autonomia nunca virá de fora.

“A maior ameaça coletiva à nossa autonomia será o dia em que os açorianos deixarem de acreditar que estas ilhas podem pensar grande. O dia em que aceitarmos a dependência como normalidade. O dia em que confundirmos estabilidade com acomodação. O dia em que perdermos a coragem reformadora, a exigência democrática e a ambição coletiva”, vaticinou.

As comemorações que hoje decorrem em Ponta Delgada são uma organização conjunta da Assembleia Legislativa e do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), na sequência da instituição do Dia da Região Autónoma dos Açores, em 1980, para comemorar a açorianidade e a autonomia.

A data, feriado regional, é celebrada na Segunda-feira do Espírito Santo.

Na sessão solene vão ser impostas 25 insígnias honoríficas açorianas que distinguem cidadãos e pessoas coletivas que se tenham destacado “por méritos pessoais ou institucionais, atos, feitos cívicos ou por serviços prestados à região”.

Serão atribuídas seis insígnias autonómicas de reconhecimento, duas de mérito profissional, três de mérito industrial, comercial e agrícola, e catorze de mérito cívico.


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O deputado único da IL no parlamento açoriano, Pedro Ferreira, disse que a autonomia foi o reconhecimento da maturidade política dos Açores para assumirem o governo do próprio destino, tendo conquistado o autogoverno para vencer a distância.