PS/Açores diz que região tem desafios profundos que exigem coragem política

O vice-presidente da bancada do PS no parlamento dos Açores, Carlos Silva, disse que na região “persistem desafios profundos, conjunturais e estruturais” que exigem “maior participação dos açorianos, coragem política, sentido de responsabilidade e capacidade de decisão”.



Carlos Silva afirmou que os Açores “percorreram um caminho notável desde a década de 70 do século passado” e “nem tudo foi, nem é, um mar de rosas”.

“Persistem desafios profundos, conjunturais e estruturais, que exigem maior participação dos açorianos, coragem política, sentido de responsabilidade e capacidade de decisão. Mas seria injusto ignorar uma evidência: os Açores de hoje são mais desenvolvidos, mais qualificados e mais preparados do que os Açores de há cinquenta anos”, afirmou Carlos Silva na sessão solene do Dia dos Açores, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.

O socialista acrescentou que para a região ser mais sustentável, mais atrativa para os jovens, mais solidária para com os idosos e mais competitiva para as empresas, não se podem ignorar os “grandes desafios” que a autonomia enfrenta.

“O primeiro grande desígnio é o da sustentabilidade das finanças públicas regionais. Vivemos uma situação financeira preocupante, marcada por atrasos, falta de liquidez, dívida recorde e investimentos estruturantes sucessivamente adiados”, disse.

Carlos Silva defendeu que o problema deve ser enfrentado com frontalidade e devem ser adotadas medidas que “permitam recuperar o equilíbrio das contas públicas e a credibilidade financeira da região”.

O segundo grande desafio é o da saúde, alegando o PS que o Serviço Regional de Saúde “continua a enfrentar problemas estruturais graves”, relacionados com subfinanciamento, falta de profissionais e dificuldades crescentes em responder às necessidades dos açorianos.

“É urgente avançar para uma verdadeira reforma do sistema, que o torne mais eficiente, mais seguro para os utentes e mais atrativo para os profissionais de saúde”, defendeu o parlamentar, admitindo, no entanto, que a reforma “continuará sempre incompleta” enquanto o principal hospital da região, o Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), de Ponta Delgada, “não recuperar a sua capacidade total”.

Carlos Silva apontou que “mais de 750 dias depois do incêndio no HDES, os açorianos continuam a enfrentar as consequências de um hospital que ainda não voltou à normalidade".

“Está na hora de passar do sonho à realidade e avançar para um hospital mais moderno, mais diferenciado, mais atrativo e mais capaz de responder às exigências do presente e do futuro”, desafiou.

O terceiro desafio colocado à região é o da mobilidade e transportes, tendo o vice-presidente do grupo parlamentar do PS reconhecido que, 50 anos após a autonomia, os problemas nos transportes “continuam a limitar a mobilidade das pessoas, a condicionar a atividade económica e a comprometer a competitividade da região”.

O socialista reafirmou a necessidade de a região “atrair mais companhias aéreas para operar nos Açores ao longo de todo o ano, promovendo maior concorrência, mais oferta de lugares e custos mais baixos, tanto para os passageiros como para o próprio Estado”.

“Da mesma forma, não podemos continuar a adiar um novo modelo de transporte marítimo, tanto de passageiros como de mercadorias, mais eficiente e adaptado à realidade das nossas ilhas, assegurando maior regularidade, melhores ligações e custos mais reduzidos”, disse.

Para Carlos Silva, a autonomia “não é apenas uma conquista histórica, é uma responsabilidade permanente”.

As comemorações que hoje decorrem em Ponta Delgada são uma organização conjunta da Assembleia Legislativa e do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), na sequência da instituição do Dia da Região Autónoma dos Açores, em 1980, para comemorar a açorianidade e a autonomia.

A data, feriado regional, é celebrada na Segunda-feira do Espírito Santo.

Na sessão solene vão ser impostas 25 insígnias honoríficas açorianas que distinguem cidadãos e pessoas coletivas que se tenham destacado “por méritos pessoais ou institucionais, atos, feitos cívicos ou por serviços prestados à região”.

Serão atribuídas seis insígnias autonómicas de reconhecimento, duas de mérito profissional, três de mérito industrial, comercial e agrícola, e catorze de mérito cívico.

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O deputado único da IL no parlamento açoriano, Pedro Ferreira, disse que a autonomia foi o reconhecimento da maturidade política dos Açores para assumirem o governo do próprio destino, tendo conquistado o autogoverno para vencer a distância.