Açores são a única região do país a não usar sistema nacional de notificação da tuberculose

Açores são a única região do país a não usar sistema nacional de notificação da tuberculose

 

Lusa / AO online   Regional   7 de Dez de 2013, 11:29

O pneumologista Carlos Pavão lamentou hoje que os Açores sejam a única região do país que continua a não utilizar o sistema nacional de notificação da tuberculose, defendendo que a unificação de registos traria múltiplas vantagens.

 

“Os Açores são a única região do país que não utiliza o mesmo sistema de notificação nacional. Continente e Madeira têm um registo único de notificação centralizado na Direção Geral de Saúde. Aqui nos Açores há um sistema de notificação próprio, que me parece pouco útil”, afirmou à agência Lusa o clínico Carlos Pavão.

O diretor do serviço de Pneumologia do Hospital Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, e coordenador regional da tuberculose multirresistente referiu que além dos meros dados estatísticos a uniformização de registos permitiria articular o conhecimento da doença, as suas formas de distribuição e grupos de risco, num real trabalho em rede.

Carlos Pavão, que também dá consultas no Centro de Diagnóstico Pneumológico em Ponta Delgada, adiantou que tem insistido junto das autoridades regionais competentes para que haja uma uniformização no sistema de notificação da doença, mas até ao momento o pedido ainda não foi atendido.

Contactada pela Lusa, fonte da secretaria regional da Saúde disse que os Açores cumprem com o que está estipulado em relação às doenças de comunicação obrigatória, informando a Direção Geral de Saúde.

A tuberculose é uma doença infecciosa, transmitida pelo ar e potencialmente mortal se não tratada devidamente, sendo a tosse persistente, febre, dores no tórax, suores noturnos, perda lenta e progressiva de peso, apatia e falta de apetite alguns dos principais sintomas.

“Nos últimos dez anos os números da tuberculose [nos Açores] têm-se mantido mais ou menos estáveis, cerca de 30 casos por ano. Em 2012 verificaram-se apenas 18 casos, em 2011 tivemos 29 casos de tuberculose respiratória e em 2010 voltámos a ter 18”, disse Carlos Pavão, acrescentando que, presentemente, estão notificados quatro casos de tuberculose multirresistente na ilha de S. Miguel.

Segundo o pneumologista, a tuberculose atinge maioritariamente homens imigrantes, sem-abrigo, toxicodependentes, alcoólicos, estando muito associada a más condições sócio económicas.

“Com a crise que atravessamos agora é previsível que aumentem as dificuldades económicas”, prevendo-se “um agravamento das condições alimentares da população e das condições sanitárias”, o que pode fazer aumentar os números da tuberculose.

Carlos Pavão considerou que “com melhor organização” seria possível “baixar muito significativamente os números da tuberculose nos Açores”, porque a doença está limitada a duas ilhas (S. Miguel e Terceira), “espaços fechados, onde a capacidade de intervenção seria muito maior”.

“O tratamento da tuberculose demora à volta de seis meses. Acontece muitas vezes que essas pessoas, dada a sua situação, abandonam com frequência o tratamento, o que origina resistência posteriormente aos fármacos habitualmente utilizados no tratamento da doença”, revelou Carlos Pavão, acrescentando que a tuberculose clássica é curável, desde que o doente cumpra o tratamento.

Apesar de ser uma doença contagiosa e socialmente estigmatizante, o pneumologista assegurou que os doentes “não precisam de ser isolados, na maior parte dos casos”, porque “o início da terapêutica torna-a dificilmente contagiosa e, portanto, não obriga a um isolamento como era apanágio noutras épocas”.


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