Washington apela a Bagdade para que ouça "reivindicações legítimas" dos manifestantes

Washington apela a Bagdade para que ouça "reivindicações legítimas" dos manifestantes

 

AO Online/ Lusa   Internacional   1 de Nov de 2019, 19:48

Os Estados Unidos da América (EUA) pediram hoje ao governo iraquiano que "ouça as reivindicações legítimas" dos manifestantes que exigem a queda do regime, apesar das promessas de reforma dadas pelos governantes.

Num comunicado, o chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, também criticou a investigação liderada pelas autoridades de Bagdade sobre a violência mortal que resultou do início do protesto, que, segundo ele", necessita da “credibilidade necessária".

"Os iraquianos merecem justiça e as autoridades têm de ser realmente responsáveis", afirmou, acrescentando que "as recentes restrições à liberdade de imprensa e de expressão devem ser eliminadas", por serem "inseparáveis de qualquer reforma democrática".

No início de outubro Pompeo pediu ao Governo iraquiano que respeitasse as reivindicações dos manifestantes e mostrasse "contenção máxima".

Este novo apelo ocorre numa altura em que o protesto popular entra em seu segundo mês e a maior autoridade xiita do Iraque, o grande aiatola Ali Sistani, alertou hoje contra a interferência estrangeira na crise.

"Ninguém, nenhum grupo, nenhuma parte regional ou internacional pode confiscar a vontade dos iraquianos e impor a sua opinião sobre eles", afirmou.

Dezenas de milhares de iraquianos concentraram-se hoje na Praça Tahrir, em Bagdade, na maior manifestação desde que começaram os protestos contra o Governo e a corrupção.

A praça e as avenidas circundantes encheram-se de manifestantes com bandeiras, enquanto as forças de segurança reforçavam as barricadas em duas pontes que levam à Zona Verde, a sede do Governo, segundo relatou a Associated Press.

As manifestações no Iraque começaram no dia 01 de outubro para pedir a “queda do regime”, quando se assinala o primeiro ano do novo executivo iraquiano, que implementou uma série de reformas económicas alvo de contestação.

Mais de 200 pessoas já terão morrido nos protestos.

Hoje, pelo menos 350 pessoas ficaram feridas quando as forças de segurança dispararam granadas de gás lacrimogéneo e balas de borracha para afastar os manifestantes das pontes.

A contestação decorreu até agora em duas fases. A primeira, entre 01 e 06 de outubro provocou, segundo números oficiais, 157 mortos, quase todos manifestantes.

A segunda começou na quinta-feira à noite, após uma interrupção de 18 dias, por ocasião de uma importante peregrinação xiita e fez, até agora, 82 mortos, de acordo com um balanço da comissão governamental de direitos humanos.


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