Triste Serra Devassa


 

Bruno Sérgio   Eu Repórter   16 de Dez de 2008, 10:31

No sábado, dia 6 de Dezembro, aproveitando o fim-de-semana prolongado, decidimos ir dar um passeio, num dos percursos marcados da ilha de São Miguel.
A opção incidiu sobre a emblemática zona das Sete Cidades e num percurso que já não fazíamos à algum tempo. Na subida pela estrada, sentido Ponta Delgada – Sete Cidades passando pela Covoada, qual não foi o nosso espanto ao vermos pessoas extraíam das vertentes da estrada volumosas quantias do conhecido “musgão”, endémica que predomina nestas zonas mais húmidas alegrando a via com cores únicas, para encherem muitas das sacas de ráfia. Apesar de ser tradição a utilização deste “musgão” para a decoração do presépio, é difícil deixar de se perceber, que as zonas de onde ele é retirado ficam mais expostas á chuva e ao vento, resultando na queda dessas mesmas vertentes ou no aparecimento de espécies invasoras que facilmente aproveitam estas manchas deixadas em aberto e consequente redução da flora endémica. Chegados ao início do passeio pedestre, junto á entrada da Lagoa do Canário, deparamo-nos com 3 carrinhas de caçadores e seus respectivos cerca de 30 cães, que acabavam de voltar de uma incursão á Serra Devassa para caçar. Esta actividade não é proibida neste tipo de zonas, que não só fazem parte de uma área de interesse turístico, como devem ser protegidas pela suas características únicas? Ainda nos arriscamos a levar um tiro, se confundem o nosso gorro, com algum coelho em fuga... Mal tínhamos dado os primeiros passos e já predominava o lixo, de todas as formas e feitios, deixado por carrinhas na forma de entulho. Dentro de sacas de ração, baterias de carros, latas, garrafas, etc. Isto logo á entrada do dito passeio pedestre. Que bonito cartão de visita!!! Não seria isso que nos iria estragar o passeio e fizemo-nos ao caminho, mas não foi com o passar de alguns metros que o lixo desapareceu. Diminuiu, mas não deixamos de ver todo o tipo de detritos deitados por quem não tem qualquer respeito pela natureza. Caminhávamos agora lado a lado com diversos regos, que inicialmente nos pareciam terem sido causados pela água a correr, proveniente de chuvadas mais fortes. Até que nos apercebemos da verdadeira origem dos mesmos... Motas, que conduzidas por quem gosta de “(des)aproveitar” a natureza, ao passarem pelos trilhos pedestres, várias vezes, acabam por sulcar a terra de uma forma bastante profunda, até não conseguirem passar mais e terem de utilizar uma via paralela aos sulcos que já tinham feito, muitas vezes, por cima de zonas com vegetação. E nem as barras colocadas no trilho, autênticas cancelas à passagem de motas, para os persuadir os demovem de utilizar as mesmas, pois a terminarmos o percurso já lá vinham mais 4 e seus respectivos condutores dar uso á “pista de todo-o-terreno”, infelizmente para nós sediada nos recantos da Serra Devassa. Sem dúvida que ficamos tristes , por ver demasiadas coisas erradas num local tão belo. Mais triste fica a Serra por não ser respeitada nem preservada na medida que devia. E pobre fica a ilha e todos os açorianos enquanto não se caminhar para a conservação e preservação e PROTECÇÃO de um património único e especial como o é o dos Açores.

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