Técnica inovadora salva recém-nascidos de lesões cerebrais

Técnica inovadora salva recém-nascidos de lesões cerebrais

 

Lusa / AO online   Internacional   27 de Nov de 2007, 09:37

Médicos britânicos salvaram uma recém-nascida de possíveis lesões cerebrais irreversíveis através de uma técnica pioneira de arrefecimento, que impediu o cérebro de inchar depois de estar privado de oxigénio durante o parto.
Os médicos do Hospital de Saint Michael, em Bristol, ajustaram a cabeça da bebé Olivia Templar num capacete refrigerador, depois de ela ter estado privada de oxigénio por dez minutos durante um nascimento traumático, em Julho último.

O capacete, de design norte-americano, é bombeado com líquido de refrigeração para reduzir o inchaço que ocorre quando o tecido é privado de oxigénio. É este inchaço o que causa danos cerebrais, que podem ser irreversíveis.

Dias mais tarde, quando um scanner analisou as funções do cérebro da pequena Olívia - que foi sedada durante o tratamento de arrefecimento -, foi verificado que as suas funções cerebrais estavam normais, de forma que a bebé teve alta.

A pesquisa para chegar a este feito foi liderada pela pediatra Marianne Thoresen, que durante 10 anos foi desenvolvendo a cápsula em programas que envolveram mais de 800 bebés de todo o mundo.

Thoresen começou esta investigação em 1992 e tem aplicado como projecto-piloto o capacete em bebés no Saint Michael desde 1998. Neste hospital, o capacete foi testado em 40 bebés e na maioria dos casos resultou.

Marianne Thoresen afirmou ter já dados suficientes para considerar que a descoberta é um grande avanço para salvar de lesões cerebrais muitos dos bebés que sofrem complicações durante o parto, embora saliente que não resulta sempre.

Agora, a mãe da bebé, Nichola Templar, de 31 anos, lançou uma campanha para angariar dinheiro para que a técnica possa estar disponível em todo o mundo.

"Acreditamos que o capacete refrigerador salvou a nossa filha de danos cerebrais. Queremos fazer o possível para que todas as crianças tenham esta ajuda", afirmou.

"Olivia tem apenas três meses de idade e, apesar de o tratamento ter resultado bem, ainda é cedo para dizer que está totalmente salva", acrescentou Thoresen, realçando que só é possível dizer com certeza que um bebé não tem lesões cerebrais quando este atinge cerca de dois anos.

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