Voos da CIA

Suécia indemniza egípcio expulso em 2001

Suécia indemniza egípcio expulso em 2001

 

Lusa/AO online   Internacional   19 de Set de 2008, 21:28

A Suécia decidiu pagar três milhões de coroas (mais de 300 mil euros) de indemnização a um egípcio, por considerar que foi expulso injustamente em 2001, suspeito de terrorismo, anunciou hoje um alto responsável judiciário
O Estado sueco vai pagar três milhões de coroas a Ahmed Agiza "porque, com a sua expulsão, os seus direitos foram violados ", declarou o chanceler Goran Lambertz depois de um acordo celebrado com o advogado sueco do egípcio.
O chanceler ocupa uma posição particular na Suécia: é totalmente independente, aconselha o governo e as suas decisões são obrigatoriamente aplicadas.
Agiza, actualmente preso no Egipto, foi expulso em Dezembro de 2001 no âmbito dos voos secretos da CIA, juntamente com um outro egípcio, Mohammad al-Zery, indemnizado com a mesma soma em dinheiro a 03 de Julho.
Os dois homens foram entregues em Estocolmo pelas autoridades suecas a agentes norte-americanos e embarcados num aparelho fretado pelo Pentágono.
No Egipto, Ahmed Agiza foi condenado a 25 anos de prisão por terrorismo, pena que baixou depois para 15 anos, enquanto Mohammad al-Zery acabaria por ser libertado por um tribunal militar egípcio.
Segundo o chanceler, Agiza não está satisfeito com a decisão de hoje, achando que devia ter recebido uma indemnização superior à de Zery devido à sua condenação.
"Achamos que a Suécia não tem de pagar por isso", porque não é responsável por ele ter sido condenado, explicou Lambertz.
Na época, Estocolmo argumentara ter recebido garantias do Cairo de que os dois homens não seriam nem torturados nem condenados à morte.
Em 2007, o Parlamento europeu criticou vários Estados da UE por terem fechado os olhos às transferências secretas de prisioneiros pela CIA, depois de um relatório ter revelado que pelo menos 1.245 voos fretados pela CIA tinham atravessado o espaço aéreo europeu, citando nomeadamente 14 países, entre os quais a Suécia.
O relatório da organização de direitos humanos britânica REPRIEVE sobre o envolvimento português na transferência de presos para Guantanamo apresentado em Lisboa no início de Abril refere que mais de 700 presos foram ilegalmente transportados para a base norte-americana de Guantanamo, em Cuba, "com a ajuda de Portugal" e, pelo menos, 94 voos passaram por território português, entre 2002 e 2006.
No final de Maio, o Jornal de Notícias divulgou uma listagem, remetida ao deputado do PCP Jorge Machado pelo Ministério das Obras Públicas, que confirma que de Julho de 2005 até Dezembro de 2007 passaram por Portugal 56 voos que tinham como origem ou destino a base norte-americana de Guantanamo, em Cuba, onde os Estados Unidos mantém encarcerados os suspeitos de terrorismo.

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