Situação da Faculdade de Medicina de Coimbra será "catastrófica" com cortes orçamentais

Situação da Faculdade de Medicina de Coimbra será "catastrófica" com cortes orçamentais

 

Lusa / AO online   Economia   4 de Nov de 2012, 10:17

O diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) afirmou que a situação desta escola no atual contexto de crise "é péssima" e antecipou um cenário "catastrófico" caso se confirme o corte orçamental da UC.

 

“A situação da FMUC neste momento é péssima. (…) Hoje em dia, a gestão corrente da faculdade é muito difícil, não há dinheiro para nada”, disse Joaquim Murta em declarações à agência Lusa, adiantando que a gestão corrente desta escola “é muito difícil” e que “não há dinheiro para nada”, mesmo para “as coisas mais básicas”.

Falta de verba para toners das impressoras onde são impressos os exames dos alunos, para o papel higiénico ou para as rações dos animais do biotério foram alguns dos exemplos dados por Joaquim Murta.

Mas este “constrangimento total” reflete-se, segundo o professor catedrático, noutras áreas.

“Temos um problema grave porque somos uma faculdade em que fazemos muita prestação de serviços ao exterior. São receitas próprias que é preciso incentivar e acarinhar e, muitas vezes, não temos o dinheiro para os reagentes…”, afirmou.

Segundo o oftalmologista, é necessário, nesta altura, “um reforço orçamental em relação a tutores do 6º ano que deram aulas no passado”.

“Um corte de 7% [no Orçamento de Estado para a Universidade de Coimbra] numa situação que já era muitíssimo má é catastrófico”, disse o diretor da FMUC, adiantando que terá de ser feita “uma contenção enorme, que se vai repercutir na qualidade do ensino prestado”.

Joaquim Murta referiu ainda que entre os “milhões largos de euros” que a escola tem a haver o principal devedor é o Estado. Lembrou, por outro lado, que os cursos de Medicina são “muito caros”.

Para a presidente do Núcleo de Estudantes de Medicina da Associação Académica de Coimbra (NEM/AAA), Inês Madanelo, a situação de crise e os cortes orçamentais são “uma preocupação muito grande” entre os alunos, no que toca à qualidade do ensino e à problemática do abandono escolar devido a dificuldades económicas.

“Uma faculdade que quer crescer e proporcionar melhores condições para o ensino está limitada. Vemos que a própria faculdade quer apoiar os projetos dos alunos e investir nos projetos internacionais, mas não há orçamento para tal. Temos de contabilizar tudo ao cêntimo”, disse a jovem à agência Lusa.

O diretor da FMUC e a presidente do NEM/AAC concordam na importância que atribuem ao ensino superior para o futuro do país.

“O ensino superior é o amanhã do país e a tutela está a querer cortar-lhe as pernas”, afirmou Inês Madanelo.

Na perspetiva do diretor da Faculdade de Medicina de Coimbra, o ensino superior constitui “uma área capital em termos de desenvolvimento” do país.


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