Em conferência de imprensa, a dirigente sindical Carina Castro afirmou que na escola EB 2,3 Manoel de Oliveira “o fogão estava a avariado e em muito mau estado há muito tempo, a Câmara decidiu a sua substituição, as refeições estiveram a ser confecionadas durante duas semanas noutra escola, vieram as férias da Páscoa, hoje retomaram a confeção sem fogão novo e sem as mínimas condições”.
Segundo Carina Castro, existem também problemas similares em outros estabelecimentos de ensino da cidade, pelo que o sindicato está a fazer “um levantamento dos problemas junto de todas as escolas da cidade” relativamente à falta de condições das cantinas, para entregar na Câmara Municipal do Porto.
“Temos algumas queixas de trabalhadores por falta de condições de trabalho, por equipamentos avariados ou por falta de equipamentos. Algumas situações já se arrastam há algum tempo e, portanto, estamos a fazer esse levantamento para poder interceder junto da Câmara Municipal do Porto”, disse.
Em relação à EB 2,3 Manoel de Oliveira, “recebemos uma denúncia da cozinheira desta escola e, por isso, decidimos estar aqui hoje à porta da escola”.
Em declarações à Lusa, a funcionária Florinda Mendes, responsável pela confeção das refeições, contou que não tem fogão para cozinhar e confirmou a falta de condições na cozinha, nomeadamente a existência de ratos.
“O que se passa foi que em março tivemos uma praga de ratos, quando demos conta do problema avisámos a escola, avisámos a câmara e, realmente, entrou a desratização. Fomos proibidos de cozinhar aqui dentro. Durante duas semanas estivemos a fazer confeção em duas escolas distintas, uma semana numa e outra semana noutra, e a transportar as refeições para aqui”, disse Florinda Mendes.
No regresso às aulas, na segunda-feira, após férias da Páscoa, “verificámos que o fogão que estava podre já não existia, mas também não existia um fogão novo, que nos permitisse trabalhar”, acrescentou.
“Por exemplo, hoje o almoço é rancho, temos grão de bico para cozer e as respetivas carnes, hortaliça, massa e batata, com um monolume e uma (panela) basculante. Temos 300 e tal refeições para servir. Como é que se consegue trabalhar nestas condições?”, lamentou a cozinheira.
Além da refeição principal, “há ainda uma série de restrições alimentares que temos de cumprir, como por exemplo, as vegetarianas. Eu avisei que se no dia 13 [segunda-feira] chegasse aqui e não tivesse fogão, chamava o sindicato e a comunicação social”, acrescentou.
A Lusa pediu esclarecimentos à Câmara Municipal do Porto, estando a aguardar a sua resposta.
