Sandra de Sousa Bairos lança o livro infantil mais pequeno escrito em português

Com apenas 13 milímetros de largura e menos de um grama, a obra infantil da escritora Sandra de Sousa Bairos será apresentada a 21 de abril em Ponta Delgada, no âmbito da Capital Portuguesa da Cultura 2026



O livro infantil mais pequeno escrito em língua portuguesa será apresentado a 21 de abril, em duas sessões, às 10h00 e às 15h30, na Livraria Letras Lavadas, em Ponta Delgada, no âmbito da programação da Capital Portuguesa da Cultura 2026.

Com apenas 13 x 18 milímetros e um peso de 0,717 gramas, a obra é da autoria de Sandra de Sousa Bairos e integra o projeto “Palavras da Minha Terra”, criado em 2018 com o objetivo de aproximar as crianças da literatura açoriana.

Segundo a autora revelou ao Açoriano Oriental, a iniciativa nasceu da necessidade de “criar pontes entre o património literário local e os leitores mais novos”, afirmando-se como uma proposta de mediação da leitura que recorre a diferentes linguagens para construir “experiências de aproximação à narrativa".

Sandra de Sousa Bairos explica ainda que o projeto “Palavras da Minha Terra” estrutura cada edição em torno de três mediadores: a obra adaptada, a respetiva peça de teatro e um elemento inovador de promoção da leitura.

A primeira edição foi a adaptação do conto açoriano “O Barco e o Sonho”, de Manuel Ferreira, com ilustrações de Beatriz Arruda, que narra a história de dois micaelenses que, na década de 1950, “construíram secretamente uma pequena embarcação e atravessaram o Atlântico rumo aos Estados Unidos, em busca de uma vida melhor”. A obra foi distribuída por todas as bibliotecas escolares e municipais da ilha de São Miguel, acompanhada de um jogo em formato de quiz com 30 perguntas de escolha múltipla.

A segunda edição, que é agora apresentada, resultou de uma reflexão desenvolvida no âmbito da pós-graduação “A Arte de Contar Estórias”, no ISEC Lisboa, onde a autora encontrou, segundo as suas palavras, “novas ferramentas para pensar a narrativa enquanto espaço de encantamento, proximidade e criação de vínculos afetivos com o livro".

Ao Açoriano Oriental, Sandra de Sousa Bairos explica que a dimensão invulgar do volume não é acidental. “Os objetos de formato inesperado têm a capacidade de criar o ‘maravilhamento’ e de gerar uma ligação emocional imediata com o público”, afirma, sublinhando que, no universo infantil, “a miniatura aproxima-se do brinquedo, do segredo, do objeto que se quer tocar, explorar e guardar".

Assim a leitura da obra exige o auxílio de uma lupa, o que transforma, segundo a autora, “o livro num espaço que deixa de ser apenas suporte textual e se transforma numa experiência lúdica e sensorial”, na qual “o gesto de ler funde-se com o gesto de brincar".

Para a autora, a edição responde a um desafio contemporâneo: “apresentar o livro como objeto de descoberta, permitindo que a criança construa uma memória positiva e duradoura em torno da leitura".

A obra é editada em parceria com a Letras Lavadas, editora sediada em Ponta Delgada e com reconhecido percurso na promoção da literatura açoriana. O lançamento integra a programação oficial da Capital Portuguesa da Cultura 2026.

Apaixonada pela literatura infantil, Sandra de Sousa Bairos é mentora do projeto “Palavras da Minha Terra”, dedicado à adaptação da literatura açoriana para crianças desde 2018. Especializou-se também na Arte de Contar Histórias, dando vida à personagem Maria dos Livros, que desperta nas crianças o encantamento pela leitura com uma convicção simples: é na infância que nascem os leitores.

PUB

A Cardamine caldeirarum, uma planta herbácea endémica dos Açores classificada como ameaçada, é o foco central de um projeto de conservação que visa a recuperação de ecossistemas ribeirinhos nas Lagoas do Fogo e do Congro, na ilha de São Miguel