"Temos relações bilaterais independentes, temos vários projetos que temos interesse em continuar, temos investimentos na Venezuela", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, citado pela agência de notícias TASS.
Segundo Peskov, Caracas dá também prioridade a "continuar a desenvolver relações mutuamente benéficas com a Rússia".
O porta-voz acrescentou que a Rússia "mantém contacto constante com os líderes venezuelanos, diariamente, desde o início" das operações norte-americanas. Em relação à presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, o porta-voz russo observou que o Kremlin "a conhece bem".
No ano passado, a Rússia anunciou a construção de uma fábrica de munições para espingardas Kalashnikov e que está em construção uma outra fábrica de espingardas de assalto no país sul-americano, onde já detém outras fábricas da indústria militar.
Dmitri Peskov afirmou ainda estar a par dos últimos acontecimentos que envolvem Cuba e dos possíveis planos dos Estados Unidos para bloquear a ilha.
"É alarmante. Sabemos que os nossos camaradas cubanos estão determinados a defender os seus interesses e a sua independência", disse o porta-voz russo, acrescentando que o Kremlin "valoriza muito" as relações bilaterais entre Moscovo e Havana.
Na semana passada, o ministro do Interior russo, Vladimir Kolokoltsev, visitou Cuba, após 32 soldados cubanos terem morrido ao tentar proteger Maduro, que foi capturado e transferido para os Estados Unidos no início de janeiro, onde vai ser julgamento por um tribunal norte-americano.
O embaixador russo na Venezuela, Sergei Melik-Bagdasarov, afirmou que Caracas disparou dois tiros de baterias antiaéreas russas contra as tropas norte-americanas durante a operação para capturar o presidente Nicolás Maduro, mas que os disparos falharam o alvo devido à falta de treino dos militares venezuelanos.
"Além de ter uma metralhadora nas mãos, é preciso saber como disparar com ela", declarou Melik-Bagdasarov em entrevista ao canal Rossiya 24.
O diplomata culpou os militares venezuelanos por não terem "formação suficiente" para operar os sistemas de defesa aérea russos Igla, que, segundo ele, apresentaram um defeito durante a operação militar norte-americana em 03 de janeiro.
Apesar disso, Melik-Bagdasarov afirmou que a cooperação militar continua, que "não foi cancelada", que a Rússia continua a cumprir os seus compromissos e que a manutenção dos sistemas de armas russos no país sul-americano vai continuar durante décadas.
