PSD e CSD questionam Governo sobre plano salvamento do BPP


 

Lusa7AO Online   Economia   3 de Dez de 2008, 17:30

O PSD e o CDS-PP questionaram hoje o Governo sobre o plano de salvamento do Banco Privado Português (BPP), tendo Paulo Rangel classificado a intervenção de "ideia peregrina" e Paulo Portas interrogado sobre o tipo de aval do Estado.
"Não há qualquer risco sistémico associado ao BPP", disse o líder da bancada parlamentar do PSD, Paulo Rangel, adiantando que esta situação era reconhecida "ainda há dias, pelo ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, e pelo Governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio".

    Já o presidente do CDS-PP, Paulo Portas, garantiu que o CDS-PP "é contra o aval do Estado - a esta operação financeira - que não se compreende e não se justifica", e diz desconhecer porque é que o Governo "mudou de posição numa semana".

    Estas afirmações foram proferidas no debate parlamentar de actualidade requerido pelo PSD sobre a intervenção do Estado e a situação do BPP.

    O plano de salvamento do BPP foi conhecido na terça-feira, prevendo um empréstimo de 450 milhões de euros por parte de seis instituições de crédito e que o Estado conceda uma garantia a estes bancos e como contra garantia passe a deter uma penhora sobre activos do BPP num valor superior a 600 milhões de euros.

    O secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, Carlos Costa Pinto, considerou a resposta de Paulo Portas de "pouco relevante", justificando que "a segurança dos depósitos dos portugueses em todas as instituições de crédito, com sede em Portugal, deve ser garantida".

    "Em causa estão os interesses dos depositantes e dos aforradores do BPP", acrescentou.

    O governante referiu ainda, em resposta a Paulo Rangel, que foi encontrada "uma solução no mercado" para responder às dificuldades de tesouraria que o BPP vinha a enfrentar e proteger a imagem externa do sector bancário em Portugal.

    Paulo Rangel convidou o Executivo a entregar a lista detalhada dos activos da contra garantia, que no contexto da penhora envolve activos do BPP na ordem dos 672 milhões de euros, a que acrescem ainda imóveis e outros bens.

    Por sua vez, Paulo Portas perguntou ao executivo sobre o que mudou numa semana para o primeiro-ministro, José Sócrates, ter defendido que não existia qualquer risco sistémico no BPP, tendo agora essa razão ter sido avançada conceder o aval a esta instituição financeira.

    "Se as contra garantias chegam, então para que é necessário o aval do Estado. Não chega para avalizar esta operação financeira o sindicato bancário", lembrou o deputado do CDS-PP.

    Por outro lado, o deputado do PCP, Agostinho Lopes, referiu que para o Governo o negócio bancário em Portugal "não tem risco", afirmando que os banqueiros são os grandes beneficiados, em detrimento dos clientes e dos contribuintes.

    O PCP anunciou hoje que vai propor uma audição do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, na comissão parlamentar de Orçamento e Finanças.

    Perante as críticas da oposição, Costa Pina disse que o "Estado não pode por os contribuintes a pagar a crise de um banco de investimentos e gestão de fortunas" tendo destacado ainda que "jamais o fundo de garantia de depósitos será accionado".


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