Função Pública

PCP e BE apresentam propostas de alteração ao regime de contrato de trabalho

O Bloco de Esquerda e o PCP vão apresentar segunda-feira à Comissão Parlamentar de Trabalho centenas de propostas de alteração ao Regime de contrato de Trabalho em Funções Públicas, que terão de ser discutidas nos dois dias seguintes.


Os dois grupos parlamentares já protestaram na Comissão de Trabalho contra a falta de tempo para a discussão do diploma na especialidade, mas os prazos mantém-se.
Até ao meio-dia de segunda-feira os grupos parlamentares terão entregar na Comissão as suas propostas de alteração, que serão discutidas na especialidade terça e quarta-feira, porque o diploma governamental vai a plenário sexta-feira.
A comissão parlamentar de Trabalho ouviu quarta e sexta-feira as estruturas sindicais da função pública e não lhe resta mais que dois dias para a discussão na especialidade dado que tem de haver um intervalo de pelo menos 24 horas entre esta discussão e a discussão e votação final no Plenário da Assembleia da República.
Para a deputada do Bloco de Esquerda (BE) Mariana Aiveca o diploma do Regime de Contrato de Trabalho em Funções Públicas (RCTFP) “foi mal discutido logo na generalidade” e “agora seriam precisam muitas mais horas para discussão de um diploma tão complexo e tão extenso”.
O RCTFP, que define as regras e as condições de trabalho na Administração Pública, tem cerca de 1.300 artigos e o BE conta que sejam apresentadas mais de 500 propostas de alteração.
Mariana Aiveca disse à agência Lusa que só o seu partido deverá apresentar mais de 200, que serão elaboradas com base nas propostas de alteração apresentadas pelos sindicatos nas audições na Comissão da especialidade.
Para o deputado comunista Jorge Machado a discussão do RCTFP está ser feita “num calendário inaceitável”.
Jorge Machado considerou que a comissão Parlamentar de Trabalho vai servir “para pôr o carimbo no diploma” que precisava de mais tempo para ser discutido.
O deputado comunista também garantiu à Lusa que o seu grupo parlamentar irá apresentar “muitas propostas de alteração”.
Estes foram os partidos que, no âmbito das audições, fizeram mais criticas ao diploma governamental e que prometeram apresentar propostas de alteração, o que não impede que possam surgir propostas de outros partidos da oposição.
O documento em causa mereceu o acordo das estruturas sindicais da UGT - a Frente sindical da Administração Pública (FESAP) e o Sindicatos dos Quadros Técnicos do Estado.
Por isso, a FESAP foi à comissão de Trabalho reafirmar os motivos que a levaram ao acordo com o Ministério das Finanças.
O que não aconteceu com o STE, que apesar de também ter subscrito o acordo, apresentou na comissão várias propostas de alteração, tentando aproximar o diploma da proposta de revisão do Código do Trabalho. 
A Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública (CGTP), que considera o diploma “muito grave para os trabalhadores da Administração Pública e para os serviços públicos” entregou à Comissão de Trabalho as inúmeras propostas de alteração que apresentou ao Governo durante o processo negocial com o Ministério das Finanças.
Esta estrutura sindical marcou para sexta-feira uma acção de protesto, junto à Assembleia da República, contra a aprovação do diploma.
O RCTFP abre a possibilidade de os funcionários públicos poderem pré-reformar-se aos 55 anos e serem abrangidos por convenções colectivas de trabalho a negociar com as organizações sindicais, tal como se passa no sector privado. 
A proposta de lei, para entrar em vigor a 01 de Janeiro de 2009, tem como objectivo aproximar o regime de trabalho da Administração Pública ao regime laboral comum e vai ser aplicada a cerca de 500 mil trabalhadores.
O RCTFP adoptou grande parte das normas estabelecidas no Código do Trabalho, outras da legislação laboral comum às necessidades da Administração Pública e integra algumas normas legislativas em vigor na função pública.
O RCTFP prevê que as convenções colectivas se possam sobrepor ao que está nesta legislação, caso sejam mais favoráveis.
A adaptabilidade do tempo de trabalho é outras das matérias que foram importadas normas do Código do Trabalho, no sentido da flexibilização dos horários (Até um máximo de 50 horas), embora mantendo o limite de 7 horas diárias e 35 semanais.
Na proposta de diploma não foram integradas as normas do Código do Trabalho relativas à formação profissional (porque a administração pública tem legislação própria mais adequada), à comissão de serviço (que está regulada no diploma dos vínculos, carreiras e remunerações e no estatuto do pessoal dirigente) e ao direito disciplinar (porque a função pública tem o seu próprio Estatuto disciplinar).
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