Citado numa nota do executivo regional, o secretário da Agricultura e Alimentação, António Ventura, diz que “hoje é um dia importante para os Açores”, sublinhando que a aprovação das iniciativas “demonstra que a agricultura açoriana é uma força viva, inovadora e essencial para o desenvolvimento sustentável do arquipélago”.
Entre os projetos aprovados está o “Cacau Açoriano”, um “estudo piloto” com um orçamento de 108 mil euros e duração prevista de 24 meses, que pretende avaliar a viabilidade agrícola e económica do cultivo de cacau (Theobroma cacao) na região.
“Através da instalação de parcelas experimentais em São Miguel e na Terceira, serão analisados solos, microclimas e custos com o objetivo de abrir caminho a uma nova fileira agrícola de valor acrescentado, ligada ao chocolate artesanal e ao turismo agrícola”, explica a secretaria regional da Agricultura.
Na área da sustentabilidade e economia circular, avança a segunda fase do projeto “Bio Filtragem”, com um investimento estimado de 359 mil euros.
A iniciativa aposta no tratamento e reutilização de resíduos de matadouros, recorrendo a soluções naturais como plantas aquáticas e vermicompostagem acelerada.
O Governo açoriano indica ainda que o objetivo do projeto “Bio Filtragem” é transformar resíduos orgânicos em compostos agrícolas de alta qualidade.
“O projeto, replicável nas nove ilhas, estima reduzir até 5.000 toneladas anuais de resíduos orgânicos não tratados até 2027”, revela o executivo regional.
A terceira iniciativa, “CALF FRIENDLY - Bezerros Felizes”, destina-se às explorações leiteiras das ilhas Terceira e São Miguel, e conta com um orçamento de 1,13 milhões de euros para o período 2026-2028.
A iniciativa promove práticas como a amamentação dos vitelos até aos três meses, a ordenha única diária e o uso de pastagens biodiversas, prevendo ainda "a criação de créditos ambientais para compensar os produtores e a atribuição do selo europeu 'Calf Friendly'", associado a iniciativas de bem-estar animal.
Para António Ventura, estes projetos representam um "reconhecimento europeu da diversificação da agroprodução alimentar" nos Açores, com um contributo direto "para um carbono negativo, para a sustentabilidade dos solos, para o desperdício zero e para uma economia circular”.
Os três dossiês seguem agora para a Comissão Europeia, onde decorrerá a fase de enquadramento técnico e financeiro.
Na nota, o Governo Regional refere também que “a submissão destas propostas ao Parlamento Europeu resultou de um trabalho de estreita cooperação institucional com o eurodeputado dos Açores Paulo do Nascimento Cabral”.
Os três projetos, que representam um investimento global próximo a 1,6 milhões de euros, visam "preparar o setor para as novas exigências alimentares e ambientais", acrescenta o executivo.
