Ordem dos Advogados quer discurso de defesa dos direitos humanos nos Açores

O presidente do Conselho Regional dos Açores da Ordem dos Advogados defendeu "um discurso público de respeito pelos direitos humanos" no arquipélago a propósito da situação da cadeia de Ponta Delgada e da ausência de um centro tutelar educativo.



"Não podemos deixar para o Estado ou para o Ministério da Justiça a responsabilidade de questões vitais para a vida de uma parte dos açorianos", disse Elias Pereira, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, após uma reunião com o líder do PSD/Açores, Duarte Freitas.

O advogado exigiu, face às "evoluções ténues" do novo estabelecimento prisional de Ponta Delgada, que sejam apresentados factos, como a assinatura da escritura do terreno, o projeto da construção e a data do início da obra.

"Tanto quanto sabemos haveria um terreno que ia ser permutado ou que iria ser entregue pela região à República. Porque é que isso não acontece? Aparentemente uma escritura é fácil de fazer e, portanto, não percebemos se são questões formais que o impedem, se é uma questão de fundo política mais grave que é falta de orçamento para dar sequência", afirmou.

O presidente do Conselho Regional dos Açores da Ordem dos Advogados insistiu, por outro lado, na necessidade de ser construído na região um centro tutelar educativo que evite a deslocação de jovens do arquipélago para o continente para cumprirem a medida de internamento.

"Há necessidade dos jovens a quem sejam aplicadas medidas tutelares cumprirem a pena nos Açores", declarou, acusando o Estado de, embora reconhecer que "há interesse público nessa construção", de a adiar "por falta de recursos".

Elias Pereira denunciou ainda que existem açorianos de ilhas onde "não há cartório notarial" que são obrigados a viajar para outras ilhas para resolverem problemas de "partilhas em caso de divórcio ou herança".

Já o presidente do PSD/Açores tornou a questionar por que razões o protocolo de cedência do terreno para a nova cadeia ainda não foi assinado.

"Esperamos que se possa verificar em breve [o protocolo]. Não se conhecem os contornos daquilo que está a ser preparado em termos de projeto, mas sabe-se desde já que o número anunciado de 400 reclusos [de capacidade] não é suficiente para o novo estabelecimento prisional de Ponta Delgada", referiu Duarte Freitas, notando que são 600 os reclusos açorianos a cumprir pena na região e no continente.

O líder do PSD/Açores considerou, por outro lado, que a cadeia de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, a mais recente dos Açores, é um "mistério" na "sua dimensão" e "prioridade".

Em agosto do ano passado, o provedor de Justiça, José de Faria Costa, alertou para a "grave situação de sobrelotação" da cadeia de Ponta Delgada, considerando que, no limite, é "a vida dos reclusos que pode estar em causa".


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Greve geral

O Governo Regional dos Açores esclareceu que “não fixou quaisquer serviços mínimos” no dia da greve geral, ao contrário do que foi referido pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS)