Estudo da Confederação da Indústria Portuguesa

Opção Alcochete requer alteração do TGV e nova estação em Santarém


 

Lusa/AO   Nacional   31 de Out de 2007, 07:00

A localização do novo aeroporto em Alcochete, defendida no estudo da CIP, implica alteração da rede de alta velocidade, cuja passagem passará a ser efectuada pela margem esquerda do Tejo, e a construção de uma estação em Santarém.
O estudo da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), que aponta Alcochete como a melhor localização para o novo aeroporto, apresentado terça-feira ao Governo e que vai ser divulgado hoje, sustenta que o "actual traçado da linha de alta velocidade deve ser revisto".

    Deste modo, a equipa de especialistas da TIS (Transportes, Inovação e Sistemas), encarregue de estudar as acessibilidades à nova infra-estrutura, propõe o redesenho da rede de alta velocidade através da criação de um troço comum nas ligações ao Porto, Madrid e Algarve, com partida da estação de alta velocidade de Lisboa (que será construída na Gare do Oriente ou em Chelas).

    A partir desta estação central, os comboios seguem numa linha comum até ao aeroporto, que será "o nó principal" da distribuição de passageiros, uma opção que, para os autores do estudo "evita o transbordo para passageiros vindos de regiões a norte e tem a vantagem de poupar entre seis a dez minutos para os passageiros destinados a Lisboa".

    "O aeroporto deve ser um nó principal da mais alta hierarquia na rede nacional de alta velocidade, inserido na Linha Lisboa-Madrid e com um excelente nível de ligação não só a Lisboa mas também às estações do corredor Atlântico a caminho do Porto e Galiza", lê-se no documento.

    O proposta do novo aeroporto ser servido "directamente pela rede de alta velocidade" contraria a proposta do Governo que prevê uma ligação à nova infra-esrutura aeroportuária através de um ramal de acesso e a posição da secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, que tem defendido que "a linha de alta velocidade serve para ligar capitais europeias e não aeroportos".

    Da estação do novo aeroporto, a linha de alta velocidade divide-se em três, seguindo os comboios com destino ao Porto, Madrid e ao Algarve.

    No estudo, a equipa coordenada pelo professor universitário José Manuel Viegas defende que "o atravessamento do [rio] Tejo deve efectuar-se nas proximidades de Santarém, com a construção de uma estação servindo aquela cidade".

    Com a construção desta nova estação, que permitirá "uma muito melhor cobertura territorial pelos serviços de alta velocidade", a linha Lisboa-Porto passa a ter as estações separadas por uma distância de 70 quilómetros (Lisboa, Santarém, Leiria, Coimbra, Aveiro e Porto) e deixa de existir a estação da Ota, prevista no plano do Governo.

    "A redução do comprimento total das linhas Lisboa-Porto e Lisboa Madrid" e, no caso da linha Lisboa-Porto, a opção por um percurso de "algumas dezenas de quilómetros feitas sobre terrenos planos e com muito baixa densidade de ocupação, em vez de terrenos muito ondulados e com povoamento disperso", permite uma "redução dos custos de investimento na infra-estrutura".

    O projecto defendido pela CIP contempla também a ligação do novo aeroporto ao nó ferroviário do Poceirão e à respectiva plataforma logística, uma vantagem relativamente ao projecto de construção na Ota, que não prevê ligações directas às plataformas logísticas.

    O projecto de alta velocidade apresentado pelo Governo prevê a construção de duas linhas à saída de Lisboa: a ligação Lisboa-Porto, que segue pela margem norte, junto à actual linha ferroviária do Norte; e a ligação Lisboa-Madrid, que segue pela terceira travessia do Tejo, que será erguida no eixo Chelas-Barreiro.

    Os novos planos do Governo não incluem as ligações ao Algarve, continuando as ligações ferroviárias a Faro a ser efectuadas pela Ponte 25 de Abril.

    No global, o projecto de alta velocidade apresentado pelo Governo está orçado em 7,1 mil milhões de euros, dois quais 4,5 mil milhões para a linha de alta velocidade para o Porto e 2,4 mil milhões para a ligação até à fronteira com Espanha.

    A solução do Governo "será provavelmente muito mais cara pela margem esquerda, por atravessar terrenos muito acidentados e de povoamento disperso, em oposição a terrenos planos e quase sem povoamento na margem esquerda", conclui o estudo.

    O estudo da CIP defende a construção do novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete, a cerca 30 quilómetros de Lisboa, numa zona plana, ocupada sobretudo por eucaliptos, em que "mais de 94 por cento dos terrenos são propriedade do Estado".
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