Navio-Escola Sagres acolhe campanha de Portugal para Conselho de Segurança da ONU

Portugal promoveu, em Nova Iorque, o último evento de campanha para o Conselho de Segurança da ONU, numa receção a bordo do Navio-Escola Sagres com a presença de cerca de duas centenas de diplomatas



Atracado no Pier 17, junto à baixa de Manhattan, o Navio-Escola Sagres encontra-se numa missão de apoio à candidatura de Portugal a membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, a realizar-se na próxima semana, e foi palco esta quinta-feira de uma receção que contou com a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), Paulo Rangel, e com a atuação da fadista Carminho.

Em declarações à Lusa, Rangel indicou que a mensagem que procurou transmitir às missões diplomáticas é que Portugal é um Estado que "constrói pontes com todos os países do mundo, tem uma presença em todos os continentes e é capaz de fazer um diálogo de consenso em defesa dos valores da Carta das Nações Unidas, do multilateralismo e do direito internacional".

Segundo o ministro, Portugal quer levar ao Conselho de Segurança uma visão mais ampla da segurança internacional, ligando a prevenção e resolução de conflitos a temas como alterações climáticas, segurança alimentar, ambiente, energia, saúde e educação, sobretudo nos países em desenvolvimento, que dependem muito do trabalho das Nações Unidas.

"Portanto, é esta ideia de um país totalmente comprometido com as Nações Unidas e com a sua visão multilateral, sabendo que não é uma organização perfeita, que muitas vezes está com impasses, mas é de facto a única instância, a nível mundial, que consegue reunir todos", afirmou.

Portugal concorre ao Conselho de Segurança - um dos órgãos mais importantes das Nações Unidas, cujo mandato é zelar pela manutenção da paz e da segurança internacional e cujas decisões são vinculativas - sob o lema "Prevenção, Parceria, Proteção".

A eleição para membro não permanente para o biénio 2027/2028 está agendada para a próxima quarta-feira.

Portugal tem como adversários diretos a Alemanha e a Áustria, numa disputa pelos dois lugares de membros não permanentes atribuídos ao grupo da Europa Ocidental e Outros Estados.

Admitindo que ainda há margem para conquistar votos até ao dia da eleição, Paulo Rangel garantiu que a diplomacia nacional continuará a trabalhar "até ao último minuto" para assegurar o apoio dos Estados-membros, num voto que será secreto.

O governante sublinhou ainda o compromisso histórico de Portugal com as Nações Unidas e defendeu reformas no Conselho de Segurança, nomeadamente uma representação mais forte de África.

Disse ainda que a política externa portuguesa é reconhecida pela consistência e capacidade de diálogo, características que considera diferenciadoras, e prometeu continuar a ser uma voz a favor da paz, da segurança, da estabilidade internacional e do desenvolvimento e prosperidade dos países mais vulneráveis.

Questionado sobre a disputa com a Alemanha e a Áustria pelos dois lugares disponíveis, Rangel afirmou que existe uma "grande recetividade" à candidatura portuguesa, embora tenha insistido numa postura de "prudência e humildade".

"A Alemanha e a Áustria são países amigos, são membros da União Europeia como nós, evidentemente também têm os seus méritos e, portanto, isto é uma competição saudável. Haverá dois lugares para três e nós estamos confiantes, mas, como sempre, estamos com grande prudência e humildade", defendeu.

Já sobre a escolha do Navio-Escola Sagres para o evento de campanha, o MNE explicou que o navio simboliza a identidade marítima portuguesa, a ligação histórica aos oceanos e a tradição de encontro entre culturas.

Acrescentou que o navio representa também o compromisso das Forças Armadas portuguesas com missões internacionais de paz, lembrando que mais de 20 mil militares portugueses participaram em operações das Nações Unidas ao longo dos 80 anos de história da organização.

Já o capitão-de-fragata José Sousa Luís destacou à Lusa que esta não é a primeira vez que o Navio-Escola Sagres serve de plataforma de diplomacia para apoiar a candidatura de Portugal ao Conselho de Segurança da ONU e, à semelhança do que aconteceu no passado, disse esperar que a embarcação volte a contribuir para esse sucesso.

Portugal já foi membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU por três vezes: em 1979-1980, 1997-1998 e 2011-2012.

O Conselho de Segurança da ONU é composto por 15 membros (cinco permanentes e 10 não permanentes). Cada membro tem um voto, sendo que os cinco membros permanentes - China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia - têm também poder de veto.

Os membros não permanentes são eleitos para um mandato de dois anos.


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