António Guterres discursava na abertura de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, pedida pela Ucrânia devido "a um novo nível de agressão russa", no qual sublinhou que os ataques de grande escala lançados pela Federação Russa na Ucrânia a 23 e 24 de maio, assim como a perspetiva de novos ataques semelhantes, realçam a gravidade do atual momento.
O líder da ONU observou que, desde fevereiro de 2022, quando a invasão russa em larga escala começou, mais de 15.000 civis foram mortos na Ucrânia, incluindo cerca de 800 crianças, conforme verificado pela ONU, acrescentando que os relatórios de Moscovo apontam para um número crescente de vítimas civis.
"Nos primeiros quatro meses deste ano, foram mortos mais civis na Ucrânia do que no mesmo período de 2025. Ou 2024. Ou 2023. A linha da frente está praticamente congelada, com enxames de drones a provocarem pesadas baixas. A infraestrutura civil está a ser destruída em grande escala, especialmente a energética", disse.
Tendo em conta o atual cenário, o antigo primeiro-ministro português advertiu que a escalada e a intensificação da guerra "arrisca sair de controlo", chamando a atenção para os riscos "de erro de cálculo" e de "consequências desconhecidas e não intencionais".
"Sejamos francos: o rumo atual não é sustentável. Esta trajetória precisa de mudar. A espiral da morte tem de parar", instou.
O secretário-geral pediu uma desescalada imediata e sustentada do conflito, um cessar-fogo total e incondicional, mais esforços diplomáticos, e que se criem "as condições para uma paz justa, duradoura e abrangente, em conformidade com a Carta das Nações Unidas, o direito internacional e as resoluções da ONU".
"A escolha é clara. A responsabilidade é clara. A hora da paz é agora", concluiu.
Numa carta enviada ao Conselho de Segurança da ONU no domingo, a Ucrânia descreveu aquilo a que chamou "de um novo nível de agressão russa", referindo-se ao ataque em larga escala com mísseis e drones realizado durante a noite de 23 para 24 de maio contra diversas cidades ucranianas, incluindo a capital, Kiev.
Segundo a missiva, a Rússia lançou mais de 690 armas aéreas, incluindo 90 mísseis balísticos e de cruzeiro e 600 drones, com Kiev a sofrer "o ataque mais devastador já sofrido pela cidade".
Os ataques fizeram pelo menos cinco mortos e 112 feridos em toda a Ucrânia, com o maior número de vítimas em Kiev, indicou a ONU.
De acordo com a carta, prédios residenciais, instalações comerciais, escolas, serviços públicos (incluindo gasodutos) e o Museu de Chernobyl, em Kiev, foram danificados ou destruídos. Diversas outras regiões da Ucrânia também foram alvos.
Acrescentou que a Rússia atingiu a cidade de Bila Tserkva, na região central do país, com um míssil balístico de médio alcance Oreshnik, projetado para transportar ogivas nucleares, argumentando que Moscovo está a praticar intimidação nuclear e a procurar deliberadamente instaurar o medo além das fronteiras da Ucrânia.
De acordo com a ONU, esta foi a terceira vez que a Rússia atacou a Ucrânia utilizando o sistema de mísseis Oreshnik.
Desde então, a Rússia alertou para a possibilidade de novos ataques a Kiev.
