Mudanças climáticas com "impactos profundos" nos ecossistemas marinhos


 

Lusa / AO online   Nacional   7 de Nov de 2007, 16:20

As mudanças climáticas têm "impactos profundos" nos ecossistemas marinhos porque agravam os efeitos da pesca e da destruição de habitats, afirmou, no Porto, a especialista Isabel Sousa Pinto.
A interacção entre os ecossistemas marinhos e o clima é um dos temas em discussão na reunião semestral da European Platform for Biodiversity Research Strategy (EPBRS), que decorre entre hoje e sexta-feira no Porto.
"Todos reconhecemos que as mudanças climáticas agravam os problemas existentes, mas é necessário investigar também o impacto nos ecossistemas marinhos das estratégias para combater essas mudanças climáticas", defendeu Isabel Sousa Pinto, em declarações à Lusa.
A especialista do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR) e responsável pela organização da reunião semestral da EPBRS, exemplificou com a aposta na energia eólica, na energia das ondas e na energia das marés.
"Qual é o impacto que isto vai ter na biodiversidade?", questionou, defendendo que aqueles investimentos devem avançar desde que os seus promotores tenham em conta os ecossistemas e não apenas uma maior eficiência energética.
Isabel Sousa Pinto alertou ainda para o facto de quando os ecossistemas deixarem de funcionar por causa das mudanças climáticas, isso se reflectir também no próprio clima.
A par desta discussão, a responsável pela reunião, organizada no âmbito da Presidência Portuguesa da União Europeia, destacou, entre as prioridades da investigação, a "urgente e necessária" criação das áreas protegidas marinhas em Portugal.
"Temos de proteger habitats e ecossistemas, mas não sabemos onde eles estão, porque a informação existente é deficiente e está dispersa", afirmou.
A designação das áreas protegidas marinhas tem de estar concluída até 2010, pelo que, defendeu Isabel Sousa Pinto, é necessário avançar com a elaboração de uma base de dados que contenha a informação relevante que actualmente se encontra dispersa.
"Esta é uma área urgentíssima para Portugal, porque precisamos dela para aplicar as políticas", frisou.
A especialista reconheceu ainda que "a pesca continua a ser um dos principais problemas da biodiversidade marinha".
"Para continuar a pescar é preciso não só investigação no ecossistema marinho mas também conseguir que os intervenientes humanos tenham em consideração os resultados dessa investigação, que apontam para a necessidade de reduzir certas capturas", acrescentou.
A reunião semestral da EPBRS destina-se a identificar os principais caminhos para a investigação e a produção do conhecimento necessários para proteger eficazmente a biodiversidade marinha, assegurando simultaneamente a utilização eficiente e sustentável dos recursos marinhos.
Participam investigadores e representantes das entidades nacionais e internacionais que tratam das questões da biodiversidade marinha.
"Pretendemos rever os conhecimentos existentes, bem como identificar e discutir a investigação estratégica necessária para o ambiente marinho, em particular à luz das novas políticas da União Europeia", explicou Isabel Sousa Pinto.
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