Tabagismo

Médicos portugueses deixam de fumar

Médicos portugueses deixam de fumar

 

Lusa/AOonline   Nacional   6 de Nov de 2008, 14:49

A "grande maioria" dos médicos fumadores portugueses abandonaram o hábito de fumar, revela o estudo "Os Médicos e o Tabaco" a que a Lusa teve acesso.
A investigação, que teve como objectivo determinar qual a prevalência do tabagismo na classe médica em todo o país, concluiu que cerca de 50 por cento dos médicos questionados fumavam e destes mais de 40 por cento abandonou o hábito.

    O estudo foi realizado entre 2005 e 2006, envolvendo um total de mil questionários.

    Foram validadas 327 respostas, disse à Lusa o autor do estudo, Miguel Natal, coordenador da Unidade de Saúde familiar de Pinhal de Frades, Seixal, que tem realizado vários trabalhos nesta área.

    Os dados revelam que actualmente cerca de 11 por cento dos médicos são fumadores, 40 por cento abandonou o hábito e quase 49 por cento são não fumadores.

    Os inquiridos tinham idades entre os 24 e os 87 anos.

    Miguel Natal percebeu que a grande maioria dos fumadores e ex-fumadores têm idade superior a 43/44 anos enquanto o maior número de não fumadores tem idade inferior a 43 anos.

    À Lusa, o autor do estudo salientou os resultados obtidos entre as mulheres médicas. Cerca de 10 por cento destas profissionais fumam, enquanto que nas mulheres em geral a taxa fixa-se nos oito por cento.

    A taxa de abandono do hábito de fumar é superior no caso dos homens, sendo que dos 40 por cento (homens e mulheres) que deixaram de fumar, 24,46 por cento são homens e 15,6 por cento são mulheres.

    Ou seja, há mais fumadores masculinos do que femininos, mas, adquirido o hábito, as mulheres têm mais dificuldade em deixar de fumar.

    O estudo concluiu também que a iniciação ao tabagismo aconteceu por volta dos 16 anos.

    Os motivos pelos quais homens e mulheres decidiram deixar de fumar variam entre a vontade própria (35 por cento), motivos de saúde (19,85 por cento) e por influência de familiares (10, 69 por cento).

    Um outro dado relevante refere que 37,26 por cento dos inquiridos admitiu ter começado a fumar por influência dos colegas, mas o contrário já não se verifica.

    Apenas seis por cento disse ter decidido deixar o vício por influência dos colegas.

    De acordo com Miguel Natal "é sempre importante lembrar que parte do sucesso da cessação tabágica reside na motivação própria como primeiro passo. A força de vontade é crucial num processo de desabituação tabágica".

    "A cessação tabágica significa qualidade de vida. Considero que os profissionais de saúde devem intervir de forma incisiva desde a pré-adolescência, para fazer prevenção e ajudar a evitar a epidemia do tabagismo", frisou.

    Miguel Natal admitiu que ao nível dos jovens tem havido uma evolução muito positiva, referindo que pela primeira vez em 15 anos encontrou turmas do secundário sem um único fumador.

    Este dado foi constatado no âmbito do programa Saúde Escolar, na área de intervenção da USF que Miguel Natal coordena.

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