Mastectomias têm diminuído


 

LUsa/Ao On line   Nacional   29 de Out de 2009, 05:22

Há duas décadas, nove em cada dez mulheres com cancro da mama eram mastectomizadas em Portugal. Hoje, apenas 30 por cento das doentes são submetidas a esta cirurgia, número que os especialistas esperam ainda baixar.

“Cada vez se fazem menos mastectomias, porque se verificou que muitas das que se faziam, principalmente em tumores mais pequenos, eram perfeitamente desnecessárias”, disse à Lusa o presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro, a propósito do Dia Nacional da Prevenção do Cancro da Mama, que se assinala sexta-feira.

Vítor Veloso precisou que, há duas décadas, 90 por cento das mulheres com cancro da mama faziam mastectomia radical. Há dez anos esse número desceu para 70 por cento e neste momento só 30 por cento das mulheres fazem esta cirurgia.

“É um avanço muito grande e nós esperamos melhorar”, assegurou, lembrando que agora há outras armas na luta contra a doença, nomeadamente tratamentos médicos que fazem diminuir os tumores e torná-los operáveis sem necessidade de mastectomia.

Para esta redução do número de cirurgias também contribuíram as acções de prevenção e rastreio que têm sido realizadas e a sensibilização das mulheres para o auto-exame de detecção do tumor que ainda mata cinco mulheres por dia em Portugal.

“É um dos aspectos mais importantes, porque quanto mais inicial for o estádio da doença, mais possibilidades há de evitar a mastectomia”, salientou.

No último ano, a Liga Portuguesa Contra o Cancro realizou 190 mil mamografias, número que “ainda não é minimamente suficiente”. Segundo Vítor Veloso, neste rastreio são detectadas pequenas lesões que têm uma taxa de cura de 90 a 100 por cento.

“A prevenção é uma das maiores armas que temos em relação ao tratamento e cura do cancro”, frisou o médico, informando que foi detectado cancro da mama em dois por cento das 190 mulheres rastreadas.

A incidência do cancro da mama continua a aumentar em Portugal, com 4500 novos casos por ano, e a doença continua a ser a primeira causa de morte por cancro nas mulheres, vitimando cerca de 1600 por ano.

Segundo o presidente da Liga, a doença vai ter um “aumento exponencial” a nível mundial nas próximas duas décadas - “pelo menos mais 50 por cento de novos casos”.

O aumento dever-se-á aos estilos de vida, mas também ao aumento da esperança de vida, explicou.

Atenta a esta situação, a Comissão Europeia voltou a apostar na necessidade da sensibilização, educação e rastreio. “Está justificado cientificamente que o rastreio do cancro da mama, feito com qualidade, permite reduzir em 30 por cento a mortalidade por cancro”, diz Vítor Veloso.

O presidente da Liga assinalou os passos que têm sido dados a nível da realização de rastreios em Portugal. “Ainda não atingimos a população toda e ainda nos aparecem cancros da mama em estádios muito avançados, por não haver uma abrangência total da população, mas penso que esse número vai diminuir cada vez mais”, sustenta.

Vítor Veloso avançou que, neste momento, há uma “coordenação total” e protocolos entre a Liga e o Ministério da Saúde, através das suas Administrações Regionais de Saúde, que fazem com que a Liga tenha, nos próximos dois anos, necessidade de fazer o rastreio de todas as mulheres portuguesas


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.