Leïla Olivesi, Tyreek McDole e SF Jazz Collective no festival Angrajazz nos Açores

A 26.ª edição do festival Angrajazz, que decorre de 02 a 04 de outubro, em Angra do Heroísmo, nos Açores, apresenta nomes como Leïla Olivesi, Tyreek McDole, Aaron Parks, Walter Smith III e SF Jazz Collective.



“Fomos convidados há 27 anos para organizar um festival de jazz (…). Pensamos que cumprimos absolutamente os objetivos que tínhamos, que era apresentar um festival de grande qualidade e que marcasse o calendário. E, de facto, hoje em dia ninguém tem dúvidas de que o Angrajazz está no calendário nacional do jazz”, afirmou José Ribeiro Pinto, da Associação Cultural Angrajazz, na apresentação do cartaz.

“Todos os grandes amantes do jazz sabem que existe o Angra Jazz e todos eles gostariam de vir ao Angra Jazz. E muitos vêm, felizmente. Nós temos cerca de 27% de público que vem de fora da ilha para assistir ao Angra Jazz”, acrescentou.

Este ano, o festival, que decorre em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, assinala o centenário do nascimento de "duas figuras absolutamente incontornáveis na história do jazz", Miles Davis e John Coltrane.

O festival arranca no dia 02 com a Orquestra Angrajazz, “a orquestra amadora mais antiga do país”, que este ano convida músicos do Conservatório de Angra do Heroísmo e da Escola de Jazz do Hot Club.

Com direção de Pedro Moreira, a orquestra vai revisitar os álbuns “Miles Ahead” e “Porgy and Bess”, que resultaram de uma parceria entre o trompetista Miles Davis e o compositor Gil Evans.

Ainda na primeira noite do festival sobe ao palco do Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo o octeto da pianista francesa Leïla Olivesi, com o projeto “African Rhapsody”.

José Ribeiro Pinto sublinhou que a pianista e compositora, que tem uma “grande carreira”, foi “eleita várias vezes 'Músico do Ano' em França”.

A segunda noite abre com o pianista e compositor português Pedro Neves, que, depois de vários discos gravados em trio, lançou “Northern Train”, o seu primeiro álbum em quarteto, “muito aplaudido pela crítica”.

Segue-se o quarteto do cantor haiano-americano Tareek McDole, “eleito pela revista Jazz Magazine revelação do ano de 2025” e vencedor do prémio Jazz Vocal Sarah Bogdan, em 2023.

No último dia, o festival acolhe o duo do pianista Aaron Parks e do saxofonista Walter Smith III, dos Estados Unidos, que tocam baladas de John Coltrane e composições em que se inspiraram na música do saxofonista norte-americano.

“Eles formaram este grupo para celebrar os 100 anos do John Coltrane, a pedido de uma organização belga, e vêm fazer quatro concertos à Europa. E ofereceram-se para vir cá. Portanto, isto demonstra bem a importância que o Angrajazz tem na cena do jazz, já não só na nacional como na internacional”, revelou Miguel Cunha, da Associação Cultural Angrajazz.

O festival encerra novamente com sons dos Estados Unidos, com o SF Jazz Collective, que, este ano, convidou o saxofonista Chris Potter para reunir um septeto e compor música inspirada na exposição “About Place”, dos Museus de Belas Artes de São Francisco.

“O New York Times diz que é a banda contemporânea mais importante do jazz”, vincou José Ribeiro Pinto.

Além dos três dias de festival, a associação promove ainda o Jazz na Rua, na semana que o antecede, em que leva bandas locais e nacionais a cafés e locais públicos da cidade de Angra do Heroísmo.

No total, o orçamento ronda os 120 mil euros, com apoios públicos e privados e uma receita de bilheteira prevista de 20 mil euros.

José Ribeiro Pinto lamentou a imprevisibilidade da atribuição de apoios do Governo Regional dos Açores, alegando que só é possível organizar o festival porque a associação trabalha de forma gratuita e tem uma “almofada” para fazer face ao tempo de espera.

“Nós, neste momento, não fazemos a mínima ideia se o Turismo [direção regional] vai dar alguma coisa ou não vai dar. Nos últimos anos, deu 25 mil euros. Este ano, diz-se que vai baixar, que não vai dar. Não sabemos e são 25 mil euros”, apontou.

Com maior previsibilidade, a organização alega que poderia trazer grupos maiores ou nomes mais sonantes a um melhor preço, mas José Ribeiro Pinto não acredita que o festival deixe de ser apoiado.

“Vai ser preciso ter muita coragem para não apoiar o Angrajazz, porque o Angrajazz é uma instituição. Toda a gente sabe, em toda a região, em todo o país e pelo mundo fora. Por exemplo, a gente todos os dias recebe emails de músicos estrangeiros a oferecerem-se para vir tocar ao Angrajazz”, frisou.

Este ano, o preço dos bilhetes aumentou um euro. O ingresso diário custa entre 16 e 23 euros e o pacote para os três dias entre 41 e 64 euros, havendo ainda bilhetes diários de sete euros para maiores de 65 anos e menores de 25.

“Temos sempre muito cuidado na conservação dos públicos e vivemos numa região que não é propriamente rica. Temos plena consciência de que os preços que apresentamos aqui são praticamente irrisórios quanto a outros festivais ou outros palcos nacionais, mas também temos consciência do público que temos e das limitações do público”, justificou Luís Mendes, da associação Angrajazz.

O município de Angra do Heroísmo apoia o festival em 30 mil euros e antecipa o valor estimado da bilheteira de 20 mil euros.

“É um apoio bastante considerável. É um apoio que é dado pelo município também tendo a noção da importância que este festival tem pela forma como consegue atrair o público, não só de cada ilha, mas também proveniente de fora da ilha Terceira”, salientou o vice-presidente da autarquia, Guido Teles.


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