O Centro de Qualificação dos Açores (CQA), antiga Escola Profissional
das Capelas, entrou numa nova fase com a inauguração das instalações
totalmente reabilitadas. A infraestrutura, que foi renovada com
financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), assume-se
agora como um “universo de qualificação dos Açores”, segundo José Manuel
Bolieiro, presidente do Governo Regional dos Açores.
Durante a
cerimónia de inauguração, o presidente do Conselho Diretivo do Centro de
Qualificação dos Açores, Acir Meirelles, revelou que a instituição
ultrapassou os objetivos inicialmente definidos para a certificação de
formandos.
A meta estabelecida previa a emissão de dois mil
certificados durante o ano de 2025. No entanto, segundo Meirelles, o
Centro conseguiu duplicar esse número, alcançando cerca de quatro mil
certificações.
O crescimento da procura reflete-se igualmente nas
candidaturas para o próximo ano letivo. O Centro disponibiliza cem vagas
para os cursos profissionais de longa duração, com três anos de
formação, mas conta já com aproximadamente duzentos candidatos.
Acir
Meirelles considera que este interesse demonstra o reconhecimento
crescente da formação profissional, sublinhando que a empregabilidade
dos diplomados ronda praticamente os 100%.
Segundo explicou, a
maioria dos jovens termina o curso já com uma proposta de trabalho ou
permanece nas empresas onde realizou a formação em contexto de trabalho.
Apenas uma parte reduzida opta por prosseguir estudos no ensino
superior.
Meirelles destacou que o CQA não funciona apenas como uma
escola profissional tradicional. A instituição integra diferentes
respostas de qualificação, disponibilizando cursos de alfabetização,
percursos que permitem concluir o 9.º ano de escolaridade, processos de
reconhecimento, validação e certificação de competências através da Rede
Valorizar e cursos profissionais de nível IV e V.
Segundo Acir
Meirelles, o objetivo é garantir que “qualquer açoriano encontre uma
oportunidade de qualificação ou requalificação profissional”.
Taxa de abandono continua a preocupar
O
Centro reconhece que existe ainda margem para melhorar no combate ao
abandono da formação. A taxa situa-se atualmente na ordem dos 30%,
embora Acir Meirelles tenha explicado que este valor não corresponde
necessariamente ao abandono escolar definitivo.
Segundo afirmou,
muitos formandos mudam de percurso durante a formação, transitando para
outros cursos, ingressando no mercado de trabalho assim que atingem a
maioridade ou optando pelo serviço militar. Ainda assim, Acir afirma que
estão a “lutar para diminuir” esse valor.
Novos cursos respondem às necessidades das empresas
Nos
16 edifícios requalificados no CQA, a oferta formativa vai ser
reforçada já no próximo ano letivo com novos cursos em áreas
consideradas prioritárias pela economia regional.
Entre as novidades
encontram-se cursos de Modelação 3D aplicada à Construção Civil,
Eletrónica, Manutenção Industrial, Mecânica Automóvel e Estética.
Acir
Meirelles explicou que a criação destas formações resulta de um
contacto permanente com as empresas açorianas, que identificam as
necessidades de mão de obra especializada.
A ligação ao tecido
empresarial constitui uma das principais características do CQA. Nos
cursos profissionais, cerca de 1500 horas da formação decorrem
diretamente em empresas, permitindo aos alunos adquirir experiência
prática e facilitando a futura integração profissional.
A
inauguração marcou igualmente o fim de um amplo processo de
requalificação das instalações. Ao contrário de uma expansão física, o
projeto incidiu na recuperação integral dos edifícios existentes,
modernizando salas de formação, oficinas e laboratórios, sendo que as
obras não fecharam a escola. Mesmo quando decorriam obras em dois terços
da escola, houve aulas.
Entre os novos equipamentos destaca-se um
laboratório dedicado à Indústria 5.0, apresentado como um espaço único
no país para formação tecnológica avançada.
Qualificação das pessoas é o principal investimento para o futuro dos Açores
O
presidente do executivo regional, José Manuel Bolieiro, classificou a
requalificação como um investimento estratégico na qualificação das
pessoas e no futuro económico da Região.
Segundo revelou, a
intervenção representou um investimento global de cerca de 16,5 milhões
de euros, dos quais 14,2 milhões foram assegurados através do Plano de
Recuperação e Resiliência, sendo o restante financiado pelo Orçamento da
Região Autónoma dos Açores.
José Manuel Bolieiro entende que o
Centro representa um novo conceito de qualificação profissional,
preparado para responder aos desafios da economia verde, da economia
azul, da transformação digital, da robótica, da indústria tecnológica e
da inovação empresarial.
“O principal ativo do futuro são as
pessoas”, afirmou o presidente, defendendo que a aposta na formação
constitui o maior investimento que a Região pode fazer para reforçar a
competitividade da economia açoriana.
José Manuel Bolieiro sublinhou
que a qualificação das pessoas constitui o principal investimento para o
futuro da Região, defendendo que a modernização do Centro de
Qualificação dos Açores permitirá responder aos desafios colocados pela
inovação tecnológica, pela transição digital e pelas novas exigências do
mercado de trabalho.
O líder do executivo regional considerou que a
aposta na formação profissional é determinante para reforçar a
competitividade da economia açoriana e criar melhores oportunidades para
os jovens e adultos açorianos.
“É este o grande desafio que este
universo de qualificação dos Açores propõe à nossa economia, aos nossos
trabalhadores e aos nossos empresários: sucesso pela prosperidade em vez
da sobrevivência fundada na subvenção pública. A capacidade de criação
de riqueza e de autonomia empresarial e pessoal. Esta é a visão
estratégica da governação na qualificação das pessoas”, salientou
Bolieiro.
O presidente do executivo regional destacou ainda os “mínimos históricos” no desemprego alcançado nos Açores.
Espaços abertos a toda comunidade
Uma
das novidades anunciadas passa pela abertura das oficinas tecnológicas a
outras instituições. Acir Meirelles lançou um convite às escolas
profissionais e à Universidade dos Açores para utilizarem os
laboratórios e equipamentos sempre que necessitem, evitando a duplicação
de investimentos públicos.
O presidente do Conselho Diretivo
explicou que os espaços funcionarão igualmente como fab labs, permitindo
que qualquer cidadão possa desenvolver projetos de empreendedorismo,
testar protótipos ou criar novos produtos. A incubadora instalada no
Centro pretende apoiar novas ideias empresariais e fomentar a inovação
nos Açores.
