Saúde

Lei do tabaco "deve ser mais restritiva"

Lei do tabaco "deve ser mais restritiva"

 

Lusa/AO online   Nacional   30 de Out de 2011, 20:38

A coordenadora da comissão de tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, Lourdes Barradas, disse hoje que os profissionais de saúde defendem que “a lei do tabaco devia ser mais restritiva”, salientando que “o número de fumadores em Portugal tem diminuído”.
Em declarações à Agência Lusa à margem do Congresso de Pneumologia que hoje termina na Alfândega do Porto, Lourdes Barradas falava dos dados divulgados no Infotabac – relatório da avaliação da lei do tabaco de 2007 – onde se concluiu que “Portugal é o país europeu com maior diminuição de prevalência de fumadores passivos no local de trabalho de 2005 para 2010, tendo-se colocado na sexta posição deste indicador na Europa a 27”. “A população portuguesa reconhece que esta nova lei contribuiu para alterar os hábitos tabágicos e concorda com a proibição de fumar nos espaços públicos”, acrescenta. Segundo a diretora do serviço de Pneumologia do IPO de Coimbra, o que os profissionais de saúde pensam “é que a lei do tabaco devia ser mais restritiva porque há várias exceções à lei”. E considera que isso deveria acontecer “principalmente na área da restauração, já que existem muitos restaurantes que, logo após a implementação da lei, eram para não fumadores e agora já estão com o dístico que autoriza fumar. É uma lacuna que existe na lei e, por isso, esta devia ser muito mais restritiva”, alerta. Lourdes Barradas afirma que “em Portugal parece haver uma tendência para diminuir o consumo do tabaco”. Na sua opinião, o aumento do imposto sobre o tabaco “é um fator que leva à diminuição do consumo, principalmente nos jovens, já que evita a iniciação”. “Com a crise, o aspeto económico pode resultar na diminuição do consumo, mas a ansiedade pode levar ao aumento”, avisa, salientando o esforço que deve ser feito pelos profissionais de saúde no alerta para os malefícios do tabaco. Para a pneumologista, se o imposto sobre o tabaco fosse ainda maior – como acontece noutros países – haveria uma diminuição do consumo. A especialista chamou ainda a atenção para o Eurobarómetro de 2010, segundo o qual “64 por cento dos portugueses referem que nunca fumaram, 23 por cento são fumadores, 13 por cento são ex-fumadores”. “Portugal é o país com maior diminuição na prevalência dos fumadores. Comparando os dados do anterior Eurobarómetro, houve uma diminuição do número de fumadores”, enfatizou. Lourdes Barradas moderou hoje uma mesa de trabalho da comissão de tabagismo sobre marketing e tabaco, onde foi referido que a “indústria tabaqueira utiliza as suas estratégias de marketing, cada vez mais agressivas, para que os fumadores mantenham os seus hábitos e para cativar novos clientes, para substituir aqueles que morrem precocemente”. “Essa publicidade da indústria tabaqueira é virada para os jovens e para as mulheres. Ainda há uma prevalência do tabaco no sexo masculino e portanto a indústria quer cativar agora o sexo feminino, com publicidade muito apelativa, nomeadamente associando o tabaco ao emagrecimento, ao glamour, à moda, à emancipação e à libertação da mulher”, referiu.

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