“Na perspetiva da comissão da juventude, o futuro do turismo açoriano dependerá da capacidade da região construir um sistema de acessibilidade aérea mais diversificado, resiliente e territorialmente equilibrado, reduzindo a dependência de um único ‘hub’ e reforçando a capacidade de resposta da rede de transportes perante situações de disrupção”, lê-se num comunicado enviado pela associação, que representa os empresários das ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa.
A comissão, liderada pelo médico João Pedro Alves, enviou um parecer com o título "O Futuro do Turismo nos Açores: Acessibilidade Aérea, Resiliência Operacional e Coesão Territorial" ao presidente do Governo Regional dos Açores, ao vice-presidente e à secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, com o objetivo de “contribuir para o debate público sobre o futuro do turismo açoriano”.
No documento, são analisados os principais desafios que se colocam ao desenvolvimento sustentável do turismo na região e apresentadas recomendações para reforçar a competitividade do destino Açores.
Segundo a comissão, o turismo é um dos “principais motores da economia regional”, mas os “resultados históricos” de 2025, com 4,5 milhões de dormidas e mais de 206 milhões de euros em proveitos na hotelaria, “não devem ocultar fragilidades estruturais que se tornaram evidentes durante o primeiro semestre de 2026”.
Há oito meses consecutivos que o número de dormidas em alojamentos turísticos nos Açores apresenta quebras face ao período homólogo.
A comissão da juventude da CCIAH identificou como problemas “a elevada concentração da acessibilidade aérea na ilha de São Miguel, a forte dependência de um número reduzido de operadores internacionais, a saída da Ryanair do mercado açoriano” e “as perturbações verificadas na operação aérea interilhas”.
Alertou ainda para “os riscos que estas circunstâncias representam para a coesão territorial e para a concretização dos objetivos definidos no Plano Estratégico e de Marketing do Turismo dos Açores (PEMTA 2030)”.
Para os jovens, “o crescimento registado pelo turismo nos últimos anos deve ser acompanhado por uma estratégia que privilegie não apenas o aumento da procura, mas também a robustez do sistema que suporta esse crescimento”.
“A diversificação da conectividade aérea, o reforço da resiliência operacional da SATA, a distribuição mais equilibrada dos fluxos turísticos entre as ilhas e o fortalecimento do papel da Terceira enquanto polo de articulação da rede aérea regional constituem prioridades estratégicas”, defenderam.
A comissão da juventude da CCIAH considerou positiva a criação do Fundo de Desenvolvimento de Rotas Aéreas dos Açores (FDRAA), alegando que pode “desempenhar um papel importante na captação de novos operadores e novas ligações, desde que seja rapidamente operacionalizado e respeite plenamente o enquadramento europeu em matéria de auxílios de Estado”.
Recomendou, por isso, no parecer, o acompanhamento da implementação do fundo, mas também “o desenvolvimento de uma estratégia de diversificação da conectividade aérea” e “a concretização do reforço do ‘hub’ da Terceira, previsto no PEMTA 2030”.
Entre as recomendações estão ainda a “elaboração de um plano de reforço da resiliência da operação interilhas, a monitorização pública do cumprimento das metas do PEMTA e o reforço das políticas de qualificação e retenção de jovens no setor do turismo”.
“Assegurar um sistema de transportes aéreos mais robusto e uma distribuição mais equilibrada das oportunidades de desenvolvimento entre as nove ilhas representa uma condição essencial para consolidar a competitividade do destino Açores, promover a coesão territorial e garantir que o crescimento do turismo continua a traduzir-se em benefícios duradouros para a economia regional e para as novas gerações”, sublinhou a comissão.
