Trabalhadoras da Cofaco manifestam-se e pedem dignidade e valorização salarial

Cerca de 70 trabalhadoras esteve ontem às portas da indústria conserveira, em Rabo de Peixe, em luta por melhores condições salariais. 85% da força de trabalho recebe o salário mínimo regional durante décadas, diz o sindicato



São os “Messis e Cristianos Ronaldos” da indústria conserveira, mas ganham o salário mínimo regional há décadas. Este foi um dos motes da manifestação das cerca de 70 trabalhadoras da COFACO, realizado na manhã de quarta-feira à porta das instalações da fábrica, em Rabo de Peixe, apoiadas pelo Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios e Serviços, Hotelaria e Turismo, Transportes e Outros Serviços dos Açores (SITACEHTT/Açores).

Além da progressão nas categorias profissionais, do aumento do subsídio de alimentação, das diuturnidades e do salário, as funcionárias querem dignidade, diz o sindicalista Vítor Silva.

“Estamos a falar num conjunto muito significativo de trabalhadores da Cofaco, 85% que entra para a empresa a ganhar o salário mínimo, trabalha três, quatro, cinco décadas e sai com o mesmo salário. Isto porque não há progressão!”, alerta.

Uma situação que se torna incompreensível por a Cofaco se tratar de uma empresa “com marcas de excelência a nível nacional e internacional, com a Bom Petisco e a Tenório.
“Eu digo mesmo que são os Messis e os Ronaldos da indústria conserveira, pena é que não recebam um salário de acordo com a quantidade e, sobretudo a qualidade do trabalho que produzem”.

Vítor Silva diz que a força de trabalho, esmagadoramente do sexo feminino, não só é prejudicada enquanto está no ativo, como quando entra na idade de reforma: “É uma situação que revolta”.

O sindicalista não compreende, igualmente, que o poder político nada faça perante o que diz ser uma situação pública, e “não tome medidas sobre esta matéria, que sejam através da criação de medidas na região, ou da sua influência dentro destas empresas, que concorrem a apoios públicos regionais, nacionais e europeus, mas depois esquecem-se de cumprir com a sua obrigação social”.

Um dos cartazes empunhados pelas trabalhadoras afirmava que o MAIS - Mecanismo de Apoio ao Incremento Salarial, anunciado pelo presidente do Governo Regional dos Açores aquando de uma visita à empresa em 2023, de nada serviu.

“O MAIS não serviu de nada. A resposta da empresa à proposta da SITACHET foi que já procedeu a atualização do salário em 5.7%, mas isto é referente à atualização do salário mínimo praticado na região”, assinala Vítor Silva.

Criada em 1961, a Cofaco emprega mais de 300 pessoas, produzindo anualmente cerca de 50 milhões de latas de conserva.  

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