Tripulantes de bordo “muito preocupados” com processo de venda da Azores Airlines

Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil recusou negociar a proposta de suspensão de cláusulas do Acordo de Empresa proposto pela Azores Airlines. Ricardo Penarroias critica processo de privatização em curso



O Sindicato Nacional de Pessoal de Voo de Aviação Civil (SNPVAC) está “muito preocupado” com o processo de privatização de, pelo menos, 75% da Azores Airlines, quando faltam pouco mais de quatro meses para a conclusão da venda direta. Em declarações ao Açoriano Oriental, o presidente do SNPVAC, Ricardo Penarroias, diz que é importante saber o futuro da companhia aérea regional a 1 de janeiro de 2027.

“Sabemos que o processo tem de estar finalizado até ao final do ano, [mas] não se ouve possíveis interessados, não se sabe, pelo menos de forma oficiosa, de ninguém que tenha questionado sobre a empresa”, afirma o sindicalista.

Ricardo Penarroias lembra que o prazo dado pela Comissão Europeia termina a 31 de dezembro, “que está já aí à porta”, e que o sindicato vê poucas movimentações, quer da parte do Conselho de Administração da Azores Airlines, quer da parte do Governo Regional dos Açores.

“Estamos em meados de julho, sabemos que em agosto pouco ou nada se vai avançar neste processo, e 31 de dezembro está aí à porta. Não estou a dizer que seja fundamental haver um interessado, mas acima de tudo que haja, para dia 1 de janeiro de 2027, um futuro para os trabalhadores do Grupo SATA”, assinala.

A entrevista veio a propósito da proposta de revisão do Acordo de Empresa, apresentado pelo conselho de administração da transportadora aérea açoriana, que visava, em grosso modo, suspender durante três anos algumas cláusulas do referido acordo, como as alterações de escalas, o regime de folgas em voos de longo curso e a composição das tripulações. 

Mas o SNPVAC recusou em negociar com a Azores Airlines, por entender que “não é o momento” para rever o Acordo de Empresa em vigor.

“Por princípio, entendo que haver alterações muito profundas no Acordo de Empresa nesta fase não é benéfico, pois não sabemos como será a operação daqui a seis meses. Algumas medidas que estaríamos a flexibilizar agora teriam impacto na operação atual, mas ninguém nos diz que tenham o mesmo impacto daqui a seis, 12 meses”, assinala.
E o sindicalista vai mais longe, afirmando que bastaria à Azores Airlines “uma maior planificação e melhor aproveitamento os tripulantes de cabine, de forma adequada, que não havia necessidade de suspender as cláusulas”. Isto porque, as cláusulas que a companhia quer suspender, “mais do que reduzir ao nível financeiro, tinha sobretudo uma redução operacional”.

Apesar de afirmar que continuam sempre disponíveis para ser solução, “mas de forma construtiva”, Ricardo Penarroias afirma que a proposta agora apresentada pelo conselho de administração é uma “questão menor”, quando comparado com o processo de privatização que está em curso.

“Aquilo que eu sinto, é que estamos a querer encontrar uma discussão - e sei que na ilha vai haver quem aponte o dedo ao sindicato -, mas a verdadeira questão é onde estão os interessados, o que é que o Governo Regional está a fazer para que haja futuro na companhia no dia 1 de janeiro”, finaliza

Contactado pelo Açoriano Oriental, o Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil disse estar a analisar o documento apresentado pela companhia, mas que não tomará qualquer posição no momento.

A Azores Airlines tem até 31 de dezembro deste ano para concluir o processo de privatização de, pelo menos, 75% do capital social da empresa.

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