A sessão do julgamento da Operação Nortada ficou marcada pelo depoimento
de Emanuel Furtado, antigo presidente da Junta de Freguesia do Porto
Formoso, que abordou vários episódios relacionados com a gestão de
Alexandre Gaudêncio à frente da Câmara Municipal da Ribeira Grande.
Sobre
os trilhos pedestres, Emanuel Furtado afirmou que a junta queria
assegurar a manutenção do percurso da freguesia, mas Alexandre Gaudêncio
informou-o de que seria necessário cumprir um procedimento
administrativo, acabando os trabalhos por ficar a cargo da Greenmark.
Outro
dos temas abordados em tribunal foi a casa de aprestos de um pescador
no Porto Formoso, cuja demolição tinha sido ordenada pela Câmara
Municipal da Ribeira Grande. O coletivo de juízes ouviu ainda uma
gravação na qual Alexandre Gaudêncio e Emanuel Furtado conversam sobre
uma forma de travar a demolição. A testemunha alegou que não tinha más
intenções. Até hoje, a casa não foi demolida.
O assunto do pagamento
ao cantador Chalana voltou a ser abordado em tribunal. Emanuel Furtado
afirmou que Alexandre Gaudêncio lhe terá dito que a Câmara da Ribeira
Grande suportaria os custos da atuação naquele ano. Foi ainda referida
uma gravação em que o antigo autarca relata que Chalana enviava
mensagens à secretária da Junta de Freguesia para saber quando receberia
o pagamento.
E já no final do dia de julgamento, questionada pelo
juiz Renato Grazina sobre se sentiu pressionada a aceitar a não
demolição da casa do Porto Formoso solicitada pelo então presidente da
Câmara da Ribeira Grande, Tânia Fonseca, antiga vice-presidente do
município e responsável pelo pelouro do urbanismo na altura, respondeu,
após alguns segundos de silêncio: “Em parte… sim”.
Perante as
declarações do responsável pela supervisão dos trilhos municipais e de
Miguel Sousa, presidente da Junta de Freguesia de Santa Bárbara, o
procurador do Ministério Público apontou contradições nos depoimentos e
anunciou a abertura de novos processos.
Há ainda um depoimento da
responsável por uma empresa de catering, que descreveu dificuldades no
pagamento de um serviço prestado num congresso realizado na Ribeira
Grande para cerca de 70 pessoas. Segundo relatou, após vários meses de
espera, foi orientada para emitir faturas em nome de diferentes
entidades, acabando por receber o pagamento através da Fábrica de
Espetáculos, num cheque que, alegadamente, lhe foi entregue por Paulo
Silva. Durante a audição, o advogado de defesa alega contradições no
depoimento da testemunha, tendo o caso dado origem à abertura de um novo
processo. No total, ontem houve alegadamente três contradições de
testemunhos.
Foi ainda ouvido um jovem arquiteto que recebeu uma
transferência de 500 euros da Autarquia para a bolsa de estudos. Em
tribunal, afirmou que, posteriormente, foi contactado por alguém da
Junta de Freguesia de Rabo de Peixe, que passou a chamada a outra
pessoa, a qual lhe pediu que justificasse o valor recebido como
pagamento por um projeto para a autarquia. Foi depois contactado pela PJ
para falar sobre a transferência.
A próxima sessão acontece após as férias judiciais.
Casa de aprestos no Porto Formoso em destaque em nova sessão da Nortada
A sessão de ontem da Operação Nortada ficou marcada pelo caso da casa
de aprestos no Porto Formoso, cuja demolição acabou por não acontecer.
Foram ainda apontadas alegadas contradições em três testemunhos
Autor: Filipe Torres
