Jerónimo fecha porta a "entendimentos artificiais" com PS e Bloco de Esquerda


 

Lusa / AO online   Nacional   29 de Nov de 2008, 21:02

O PCP iniciou hoje o XVIII Congresso, em Lisboa, com Jerónimo de Sousa a fazer um discurso crítico ao PS, à sua ala esquerda, e fechou a porta a “entendimentos artificiais” com socialistas ou o Bloco de Esquerda.
    Na abertura do congresso, no espaço multiusos do Campo Pequeno, Jerónimo afirmou a estratégia eleitoral do PCP com a CDU para as eleições do próximo ano, sublinhando que quer transformar a “oposição social” das ruas em “oposição política”, numa alternativa em que o partido deve ter “um reforço”.

    Essa alternativa, avisou, “nunca será um acto, nem surgirá por geração espontânea ou de entendimentos artificiais pensando mais no poder do que na política”.

    Num longo discurso de uma hora e vinte, Jerónimo de Sousa acusou o PS de, no poder desde 2005 com o Governo de José Sócrates, seguir uma política de direita e de nem mesmo “as movimentações” de sectores “à esquerda dentro do PS” - o grupo de Manuel Alegre, que não nomeou directamente - dar garantias de esquerda ao PCP.

    O líder comunista aponta o dedo e afirma que o objectivo deste grupo é o de “alimentar ilusões” e de travar a transferência dos “descontentes” com o executivo de Sócrates.

    O objectivo do grupo de Alegre, advertiu, pode ser “travar a erosão do PS”, permitindo “a sobrevivência da política de direita”.

    O Bloco de Esquerda foi apresentado como um partido “socialdemocratizante disfarçado por um radicalismo verbal esquerdizante” e que tem uma fixação no PCP, “caindo muitas vezes no anticomunismo”.

    De resto, o secretário-geral comunista fez um balanço de quatro anos de mandato, destacando o reforço eleitoral do partido e garantindo a coesão interna, contra os “mostrengos” que previam o contrário.

    De resto, ao longo deste primeiro dia de trabalhos, e pela tribuna do congresso, nenhuma das intervenções destoou ou teve qualquer pendor crítico.

    Jerónimo de Sousa insistiu na defesa da “identidade do partido”, comunista, como o “chão mais sólido e seguro” para manter a sua “força”.

    A três anos das eleições presidenciais, o líder dos comunistas antecipou a estratégia, afirmando que o PCP irá “afirmar as suas posições próprias quanto ao papel e funções do Presidente da República”.

    Outro momento alto do dia foi a homenagem ao líder histórico Álvaro Cunhal, e a outros dois dirigentes históricos que morreram desde o congresso de 2004, Sérgio Vilarigues e José Vitoriano.

    “Quando dizemos o seu nome é o nome do PCP que estamos a dizer”, ouviu-se no vídeo exibido aos cerca de 1.500 delegados ao congresso, que, no final, aplaudiram de pé.

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