Igreja garante que já tem agido contra austeridade

Igreja garante que já tem agido contra austeridade

 

Lusa/AO online   Nacional   10 de Out de 2012, 09:45

O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, Manuel Morujão, disse que os bispos têm feito diversas intervenções sobre o momento que Portugal atravessa e a Igreja tem estado perto das "populações que sofrem" através de obras de serviço social.

O padre Manuel Morujão reagia assim ao apelo feito pelo ex-presidente da República Manuel Ramalho Eanes em entrevista à Rádio Renascença para que a Igreja tenha “uma voz mais ativa, porque quando alguns dos “filhos de Deus e nossos irmãos estão em grande sofrimento, a Igreja deve fazer ouvir a sua voz”.

Em declarações à agência Lusa, o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa disse que tudo o que “puder ser feito é sempre pouco”, mas lembrou que os bispos têm feito intervenções numerosas “em quantidade e incisivas em qualidade” sobre o momento que Portugal atravessa, a importância de ajudar os que estão mais desfavorecidos e tem alertado as autoridades para colmatar as necessidades dos mais pobres.

“Os nossos bispos têm alertado para que nas medidas de austeridade se poupem aqueles que já vivem em profunda austeridade. A Conferência Episcopal tem feito declarações e tem publicado notas pastorais, mas tudo o que se possa fazer é pouco para iluminar caminhos de esperança”, salientou.

No entender do padre Manuel Morujão, Manuel Ramalho Eanes mostra “um bom desejo de que se oiça uma voz credível que corresponde ao sentir da grande maioria dos portugueses que é cristã e até católica”.

De acordo com o representante da Conferência Episcopal, a voz dos pastores da igreja é importante, mas os bispos não têm estado “nem mudos nem calados” e têm sobretudo agido.

“A ação da igreja tem sido estar perto das populações e através de múltiplas obras de serviço social na Cáritas [instituição oficial da Conferência Episcopal], nas misericórdias, nos centros sociais e nas conferências de S. Vicente de Paulo tem estado perto das populações que sofrem e esta é a resposta principal”, explicou.

O ex-presidente da República Ramalho Eanes disse, em entrevista à Rádio Renascença, que “um país que se preza está preocupado com a unidade do seu povo, não deixa que os seus cidadãos fiquem completamente desapoiados pelo Estado”, porque isso “põe em causa a unidade do país”.

Além do apelo para que a Igreja católica tenha uma voz mais ativa, Ramalho Eanes defendeu a criação de um “grupo de sábios”, que inclua economistas como José da Silva Lopes e António Bagão Félix, para apresentarem aos partidos “um projeto de pacto de crescimento e de Estado” que possa reunir o mínimo de consenso em torno do qual se possam realizar as reformas necessárias no país.



Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.