“Diversidades” é o nome da exposição de pintura da autoria da artista Inês Pastor, inaugurada no passado dia 4 de Junho na Sala do Forno, do Centro Municipal de Cultura, que estará patente ao público até ao dia 15 de Junho.
A exposição é composta por 38 quadros pintados a óleo, onde a artista recria os ambientes de uma forma muito especial, transferindo-os para a tela com a mesma simplicidade e frescura com que vive a sua vida de dona de casa, esposa, mãe e avó.
Inês Pastor nasceu a 21 de Dezembro de 1939 no Porto Formoso e actualmente reside em São Roque, na ilha de São Miguel.
A artista micaelense é impulsionada para a pintura de maneira espontânea, revelando desde cedo o gosto pelo desenho e pela pintura. No entanto, devido às vicissitudes da vida, não conseguiu seguir as suas tendências artísticas profissionalmente.
Frequentou a Escola Industrial mas começou a pintar depois da sua passagem, em 1988, pela Academia das Artes de Ponta Delgada, e desde então ganhou ainda mais gosto e nunca mais deixou de o fazer.
Algum tempo depois de ingressar na Academia das Artes participou em várias exposições, que já a levaram a percorrer por várias vezes diferentes pontos do país, e fora dele, mostrando que nunca é tarde para se ser artista.
Inês Pastor representa, nas suas obras temáticas, relacionadas essencialmente com o quotidiano, as flores, em especial as hortênsias, e o mar. O mar é, para a Inês Pastor, um dos temas que lhe dá mais prazer pintar devido à proximidade que a artista sempre teve com o oceano, com aquela imensidão de vida e de cor.
A pintora não gosta de falar dela própria nem gosta de pintar à noite e o seu “cantinho”, ao pé da janela, é o lugar predilecto.
Revela uma grande sensibilidade e espontaneidade, algo que acaba por se reflectir nos seus trabalhos.
O seu gosto pela pintura surgiu quando ainda criança, gostando de desenho, algo lhe traz paz e tranquilidade.
Movida pelo prazer de dar a conhecer o seu trabalho, a autora de “Diversidades” tem realizado várias exposições, algumas colectivas, como por exemplo na Feira das Artes, no Coliseu Micaelense; na Junta da Freguesia do Capelo, no Faial; na Câmara Municipal de Ponta Delgada e na Academica das Artes.
Algumas das exposições são individuais, como tenham sido na Casa dos Açores, em Toronto, Canadá; no Museu de Santa Cruz das Flores; nas Sanjoaninas 2003, na ilha Terceira; Museu de Santa Cruz da Graciosa; Câmara Municipal das Velas, na ilha de São Jorge; 3ª Semana Sociocultural do Pico da Pedra, Salão dos Bombeiros do Nordeste, Câmara Municipal de Lagoa, na Junta de Freguesia dos Remédios, na Bretanha, entre diversas outras.
O seu trabalho é intitulado “Diversidades”. Fale-me um pouco dele.
O meu trabalho é intitulado “Diversidades” porque estão representadas, nos quadros, algumas partes da ilha de São Miguel. Daí o nome Diversidades, para mostrar algumas das variadas zonas da nossa ilha.
Quais são os materiais que usa para pintar?
Só uso tinta de óleo para pintar.
Quando despertou o gosto pela arte, particularmente pela pintura?
Frequentei a Escola Industrial e já sabia desenhar. No entanto nunca pensei um dia pintar. Mais tarde, já com a minha vida organizada e com os meus filhos crescidos, soube que a Academia das Artes de Ponta Delgada estava a dar cursos nessa área e então entrei em 1988 e estive lá durante nove anos. Além da pintar quadros pintei também loiça.
Mas também é preciso ter uma vocação inata?
Sim, sem dúvida. Isto é uma coisa que nasce com a pessoa.
O que foi a sua primeira pintura?
A minha primeira pintura foi o Ilhéu de São Roque. As pessoas elogiavam-me e diziam que estava bonito o trabalho, mas no meu entender ainda faltava qualquer coisa ali, que não estava bem, e o que faltava eram as técnicas, que vim a aprender mais tarde na Academia das Artes.
A pintura para si é um “escape” no seu dia-a-dia?
A pintura faz parte da minha vida, faz parte de mim e já não consigo viver sem ela.
Já lhe aconteceu pintar um quadro e não gostar do que viu?
Sim já. E quando isso acontece o que faço é pôr a obra de lado e pinto outra coisa e mais tarde volto a pegar no quadro que estava a pintar e já o vejo com outros olhos.
Passa muitas horas a pintar?
Sim. Uma boa parte da manhã e à tarde também, mas à noite não pinto. Não gosto de pintar à noite. Mas não há uma explicação lógica para isso, simplesmente não gosto.
O local onde pinta é importante para si?
Sim é importante. Pinto num cantinho da minha casa com uma janela.
Quando retrata paisagens ou motivos do campo, como vemos nos seus quadros, costuma pintar no local ou é só mesmo em casa?
Não. Pinto sempre em minha casa. O que faço é tirar as fotografias dos recantos que quero pintar e depois venho para casa pintar. Porém, às vezes fica um pormenor ou outro para trás e por isso regresso ao local que fotografei para fotografar novamente e observar com minúcia tudo o que preciso para a concretização da minha obra.
Nos seus quadros não se vê muito a presença humana. Porquê?
Pinto as pessoas, mas não pinto o rosto, e em especial os olhos, porque isso é outra coisa que nasce com a pessoa.
Na pintura, como nas restantes artes, há pormenores que fazem a diferença. O que diferencia as suas pinturas das outras? Qual é a sua “imagem de marca”?
Sem dúvida é a presença do mar e das hortênsias. São elementos sempre presentes.
Enquanto artista como define a pintura?
Para mim, como já referi anteriormente, a pintura é tudo, faz parte do meu viver e do meu dia-a-dia. Não me imaginava sem pintura.
Exposição "Diversidades" de Inês Pastor
A artista recria os ambientes que lhe são próximos de forma muito peculiar transferindo-os para a tela com a mesma simplicidade e frescura com que vive a sua vida de dona de casa, de esposa, de mãe e avó
Autor: Tânia Silva
