Açoriano Oriental
Empresários dos Açores consideram que apoios ao turismo não são adequados

A Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo (CCAH), nos Açores, considerou que os apoios disponíveis, a partir de agosto, para as empresas ligadas ao turismo, devido à covid-19, são insuficientes.

 Empresários dos Açores consideram que apoios ao turismo não são adequados

Autor: Lusa/AO Online

“Os apoios nacionais ou regionais que vigorarão a partir de agosto não são adequados ao setor e não permitem a subsistência das empresas e, consequentemente, do emprego até maio de 2021”, adiantaram os empresários, em comunicado de imprensa.

A associação empresarial, que representa os empresários das ilhas Terceira, Graciosa e São Jorge, reuniu-se recentemente com os associados ligados ao setor do alojamento e revelou que o balanço da atividade “continua a ser muito negativo, senão mesmo catastrófico”.

“Em plena época alta são muito poucas as reservas existentes, sendo certo que as perspectivas a partir de setembro irão piorar. Concluiu-se facilmente que o setor do Turismo em geral, e não só as empresas do alojamento, não terão retorno este ano, só se prevendo uma retoma gradual a partir de maio de 2021”, avançou.

Os empresários contestam as medidas anunciadas a nível nacional, que dizem estar “direcionadas para as empresas que se encontram numa situação de retoma ou normalização da atividade”.

“A medida da retoma progressiva, sucessor do ‘lay-off’ simplificado, claramente não está pensada para as empresas deste ramo de atividade, uma vez que prevê apenas apoio em caso de redução de horário de trabalho e não suspensão de contrato, sendo que o apoio irá diminuir a partir de setembro até ao final do ano, altura em que as empresas do setor voltarão a ter quebras de faturação perto dos 100%, se não mesmo neste valor”, criticaram.

Por outro lado, alegam que neste caso não foi anunciada até ao momento qualquer “medida de apoio complementar”, a nível regional, existindo apenas “um complemento às empresas que recorrem ao ‘lay-off’ tradicional do código do trabalho”, opção que consideram “complicada” em termos burocráticos e que parte do pressuposto "que as empresas terão que pagar a 100% as contribuições para a Segurança Social".

“É essencial que, nesta fase de desconfinamento e retoma da economia, as medidas existentes sejam adaptadas setorialmente e acompanhem as suas necessidades”, defenderam.

A Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo alertou ainda para uma “perceção errada” da população residente de que “não é possível conciliar o turismo e a segurança e saúde dos açorianos”, sublinhando o impacto económico do setor do turismo noutras áreas, como a construção civil, o comércio, a agroindústria e as pescas.

“Não queremos que à pandemia do vírus se siga a pandemia do desemprego e da miséria. É fundamental, por isso, que a região cumpra com o que se compromete, designadamente em matéria de testes, que se possam encontrar outras formas de dinamizar o turismo, inclusivamente o interno, e que os açorianos mantenham a hospitalidade que sempre os caracterizou”, apelaram.


 
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