Duas detidas em rusgas a clínicas de abortos em Barcelona


 

Lusa / AO online   Internacional   26 de Nov de 2007, 14:00

Pelo menos duas pessoas foram detidas em rusgas que decorrem desde o início da manhã em quatro clínicas de interrupção voluntária da gravidez em Barcelona, no âmbito de investigações à alegada prática de abortos ilegais.
Fonte da Guarda Civil confirmou à Agência Lusa que as investigações continuam "em curso", não se excluindo eventuais detenções adicionais, escusando-se a precisar os crimes de que são acusados os detidos.

As duas detidas - uma na clínica Ginemedex e outra na clínica Emecé -, neste último caso num edifício onde decorrem rusgas a três clínicas especializadas na realização de abortos.

Além destas destes dois estabelecimentos estão a ser alvo de rusgas duas outras clínicas, a CBM e a Barnamedic.

A operação policial, que se desconhece se será alargada a outras regiões espanholas, foi feita com base numa decisão de um juiz de instrução de Barcelona.

As mesmas fontes indicaram que a operação tem como objectivo estabelecer se em alguns dos centros se praticaram abortos ilegais.

O Código Penal espanhol prevê que quem realize abortos fora dos casos permitidos - saúde mental e física da mãe, malformações do feto e violação - possa ser punido com penas de até quatro anos de cadeia.

O juiz de instrução do caso terá tido em conta, na decisão de ordenar as rusgas, um alegado testemunho de um ex-funcionário de uma das clínicas.

Uma denúncia tinha sido apresentada recentemente depois da reportagem de uma cadeia de televisão dinamarquesa que apontava para a realização de possíveis abortos ilegais nas clínicas de Barcelona.

Num comentário às rusgas de hoje, a Associação de Planeamento Familiar da Catalunha manifestou-se hoje confiante que a modificação da lei do aborto, anunciada recentemente pelo governo, possa "acabar com situações de indefinição legal", que existe actualmente.

"Este caso tem que ser analisado cuidadosamente, mas suponho que tem uma dimensão internacional e que está relacionado com o facto de que em Espanha não se põe limite à data de aborto quando haja risco para a saúde materna", explicou a associação.

Barcelona recebe, por exemplo, muitas mulheres francesas que podem abortar facilmente no seu país até às 12 semanas, mas que depois têm que se deslocar a países como Espanha.

Associações espanholas manifestaram-se já favoráveis a uma alteração legislativa que permite à mulher decidir livremente, num prazo de 24 semanas, se quer abortar, ou não, lei idêntica à que vigora na Holanda.


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