Açoriano Oriental
Designer portuguesa lança primeiro fanzine cabo-verdiano com poesia e banda desenhada
A designer gráfica portuguesa Inês Ramos, fã de banda desenhada, chegou a Cabo Verde há dois anos, para um trabalho na sua área, e acabou por ficar, fascinada com o talento e o mercado cultural do país.
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Foto: Vítor Melo
Autor: Lusa/AO online

Em novembro de 2011, começou a organizar, todos os sábados, no Centro Cultural do Palácio Ildo Lobo, na capital cabo-verdiana, uma feira de poesia e banda desenhada, percebendo, desde logo, "que havia muito talento perdido".

"Vários jovens vieram ter comigo para me mostrar desenhos e poemas. Senti que havia muito talento", disse à agência Lusa Inês Ramos, uma "freelancer" natural de Lisboa, onde nasceu há 46 anos.

Daí a criar um "fanzine" foi um pulo. Um "fanzine", explicou, "significa uma revista periódica, publicada geralmente por jovens amadores sobre temas como a banda desenhada, cinema, música ou ficção científica".

A palavra vem do inglês ("fun + maganize") e é a abreviatura de "fanatic magazine", razão pela qual se torna uma publicação editada por um fã.

Inês Ramos juntou seis jovens - um desenhador, quatro poetas e um poeta/desenhador - e, em apenas mês e meio, surgiu o "fanzine" "Banda Poética", no qual se inclui uma banda desenhada e dezenas de poemas que, "caso contrário, iriam acabar nas gavetas".

Desta forma, o mercado pode abrir-se para os jovens, acrescentou Inês Lopes, sublinhando que o "fanzine", ora dado à estampa - 500 exemplares de 30 páginas cuja tiragem foi financiada pelo Ministério da Cultura cabo-verdiana -, é "aperiódico", isto é, "sairá quando sair".

"Senti que havia uma dificuldade para estes jovens editarem, e que havia muito talento perdido. Achei que um 'fanzine' é fácil de fazer, porque é artesanal - pode ser feito até em fotocópias -, e que era possível reunir esses jovens. Havia apenas uma única exigência: que os desenhos tivessem a ver com poesia e a poesia com desenho ou banda desenhada", explicou.

"Fizeram coisas fantásticas - fizeram poemas acrósticos com a palavra banda desenhada, fizeram bandas desenhadas com um poeta, fizeram desenhos com B.Leza [um dos maiores nomes da 'morna'], e com Eugénio Tavares [considerado o maior poeta de Cabo Verde]. Foi muito emocionante e bonito", acrescentou.

Cinco homens e uma mulher, entre os 22 e os 29 anos, escreveram poesia, Álvaro Cardoso (23 anos), Anilton Levy (22), Flor Porto (29), António Lopes Teixeira (25), desenharam, e Heguinil Mendes (24), fez as duas coisas, ao apresentar um poema e uma banda desenhada sobre a vida de um poeta.

"Tenho contactos em Portugal, no Brasil e noutros países africanos, e convidaram-nos já para participar no Festival Internacional de Banda Desenhada na Argélia. Vamos concorrer ao melhor fanzine. Vamos ver", disse à Lusa Inês Ramos que, por razões profissionais, deixa Cabo Verde no final deste mês, prometendo voltar "em breve".

Autora do blogue "Porosidade Etérea", Inês Ramos é uma das "ativistas" da Tertúlia de Banda Desenhada que, há cerca de três décadas, reúne dezenas de participantes num restaurante do Parque Mayer, em Lisboa, nas primeiras terças-feiras de cada mês.

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