Sociedade

Descida das taxas de juro alivia famílias mas não resolve pobreza

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Pedro Lagarto   Regional   16 de Out de 2009, 22:53

"No segundo semestre do ano passado 479 famílias, algumas das quais com créditos à habitação de 150 ou mesmo 200 mil euros, pediram-nos ajuda pois não conseguiam suportar a prestação da casa e as despesas mensais. Este ano, o número de solicitações caiu para metade. O que mudou? O desemprego? Não. O sobreendividamento? Não. As taxas de juro? Sim, e com a descida assinalável das prestações bancárias muitas famílias voltaram a ter dinheiro para pagar a alimentação, a água, a luz e o gás", revela Luísa Gonçalves, da Cáritas.

A assistente social enfatiza, todavia, que menos famílias a pedir ajuda na Cáritas "não significa que tenham desaparecido as dificuldades pois a Cáritas é apenas uma das muitas instituições que prestam auxílio". A interpretação da assistente social encaixa na perfeição nas últimas estatísticas oficiais do Emprego e do Rendimento Social de Inserção. No segundo trimestre deste ano a taxa de desemprego atingia 7% nos Açores (8535 indivíduos), contra 6,7% no trimestre anterior (7977 indivíduos) e 5,4% (6364 indivíduos) entre Abril e Junho do ano passado. Também os dados da Segurança Social revelam o aumento do número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção- 5624 famílias em Agosto (4887 em Janeiro do ano passado, número que evolui para 5039 agregados em Dezembro). Ciente das novas dificuldades, o Governo Regional accionou um conjunto de medidas nas áreas da saúde, do complemento regional de pensões e do abono de família, de diminuição do IRS e da contenção de preços controlados no sector dos transportes e dos combustíveis, com o objectivo de atenuar os impactos da crise nacional e internacional nas famílias açorianas e nas pequenas e médias empresas. Artur Martins, vogal do Instituto de Acção Social, salienta, todavia, que o esforço governativo para combate à pobreza começou muito antes da actual crise. "Entre 2001 e 2007, com a criação de dois mil postos de trabalho, que fez baixar a taxa de desemprego para 4%, e com o aumento da taxa de actividade feminina de 28% para 35%, que permitiu reforçar o rendimento disponível das famílias, a taxa de pobreza baixou na Região Autónoma dos Açores de 38,2% para 22,1%" refere Artur Martins, a propósito de um trabalho do Centro de Estudos Territoriais do ISCTE, publicado em 2008, não obstante admitir que "apesar das políticas de emprego e das políticas sociais permanece um elevado índice de pobreza". A actual crise também não passou despercebida à Diocese de Angra que decidiu criar um Fundo de Emergência Social. Este fundo de emergência social, segundo explicou na altura o bispo açoriano, funciona como uma "primeira resposta" para atender às necessidades imediatas, dado que a crise económica e social originou um aumento dos pedidos de auxílio, especialmente nas ilhas mais populosas - São Miguel e Terceira. Como factor positivo no seio de tantas dificuldades e estórias tristes que se multiplicaram no último ano e meio, D. António Sousa Braga releva o espírito de interajuda dos insulares. "Circulo muitas vezes pelas paróquias e constato que há muita solidaridade e um grande apoio dos vizinhos, em relação às pessoas idosas", afirmou o bispo.


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