Benfica

Críticas à gestão desportiva marcam ano de Luís Filipe Vieira

Críticas à gestão desportiva marcam ano de Luís Filipe Vieira

 

Lusa/AO   Futebol   26 de Out de 2007, 12:11

Elogios ao desempenho financeiro, críticas à política de contratação de futebolistas e o reconhecimento de que a situação desportiva podia ser melhor marcam o primeiro ano do segundo mandato de Luís Filipe Vieira como presidente do Benfica.
Os últimos 12 meses da gestão de Luís Filipe Vieira, que amanhã celebra o primeiro aniversário do seu segundo mandato, merecem opiniões divergentes de dois economistas sócios do clube, com Jaime Antunes a tecer duras críticas e Bagão Félix a fazer um balanço positivo.
Jaime Antunes critica o facto de os resultados desportivos não serem os esperados, referindo que não vê "uma equipa de futebol competitiva" e que se "esbanja dinheiro todos os dias", enquanto Bagão Félix nota "alguma melhoria da situação financeira e patrimonial", embora reconheça que os resultados desportivos não são os esperados.
"O balanço é pobre, infelizmente, para o Benfica e para os benfiquistas. Os resultados estão à vista, não se vê uma equipa de futebol competitiva, esbanja-se dinheiro todos os dias, contratam-se jogadores que não têm categoria", afirmou Jaime Antunes à Agência Lusa, traçando um balanço negativo à liderança de Luís Filipe Vieira.
Para este economista, que perdeu as eleições para Luís Filipe Vieira no seu primeiro mandato, "o Benfica foi transformado num entreposto de jogadores. Todos os anos compra jogadores às dúzias, mas não melhora efectivamente a equipa de futebol e isso é que é lamentável. Não há estratégia para o futebol, não há gestão".
"As modalidades amadoras também estão mais ou menos na mesma, ou ganha-se pouco ou quase nada, e o balanço é a continuação do que foi o mandato anterior", prosseguiu Jaime Antunes.
A gestão do clube recebeu também parecer negativo de Jaime Antunes, que disse não haver "recuperação financeira nenhuma significativa".
"O passivo continua mais ou menos no mesmo nível, não tem tendência a baixar, pelo contrário, prevejo até que no futuro tenha tendência a agravar-se, dados estes investimentos que têm sido feitos no futebol, investimentos sem qualquer resultado. Compra de jogadores sem uma análise criteriosa daquilo que se compra e, portanto, até é possível que o passivo venha a agravar-se", alertou Jaime Antunes.
Este sócio do Benfica mostrou-se ainda descrente em relação ao futuro do clube, considerando que este "é uma instituição que não tem uma gestão competente e, sem gestão competente, não é possível fazer grandes coisas. O Benfica não tem uma liderança capaz, infelizmente".
Opinião contrária manifesta Bagão Félix, que traça uma apreciação, "em termos genéricos, globais e transversais satisfatória e positiva".
"No que se refere aos resultados desportivos, eles não têm sido aqueles que naturalmente os benfiquistas desejam, em todo o caso, há maior contenção salarial, critérios melhores na escolha da equipa, com menos erros", sublinhou Bagão Félix, antigo ministro das Finanças no XVI Governo Constitucional e da Segurança Social e do Trabalho no XV Governo.
Em relação ao futuro do clube, Bagão Félix mostra-se igualmente optimista, embora reconheça que a situação financeira do clube ainda não esteja equilibrada.
"A situação financeira não está equilibrada ainda, como não está nenhum clube. O mercado é muito estreito e basta um ano correr pior desportivamente para não ter acesso a provas como a Liga dos Campeões, que pode dar receitas financeiras importantes", disse Bagão Félix, acrescentando, no entanto, que o Benfica está "bastante diferente do clube de há seis, sete, oito anos, para melhor".
Bagão Félix chamou a atenção ainda para o facto da comunicação no clube não estar a correr da melhor maneira.
"Ao nível da comunicação, penso que por vezes há palavras a mais, talvez devesse haver algum silêncio a mais. Hoje em dia, um clube desportivo como o Benfica, com um orçamento tão elevado e com uma Sociedade Anónima Desportiva deveria ter alguma contenção verbal própria de uma empresa", alertou.
Por seu turno, o antigo "capitão" do Benfica Humberto Coelho mostra-se esperançado em que o clube volte aos seus tempos de glória, mas admitiu ser necessária alguma paciência.
"Quando se muda muita coisa é preciso ter estabilidade. O Benfica nunca teve uma posição estável, com aquisições que não são as indicadas para aquilo que precisa e para os objectivos que a equipa quer. Até agora, ainda não conseguiu essa estabilidade, mas espero que consiga", disse Humberto Coelho, que capitaneou os "encarnados nos anos 70 e 80.
O antigo defesa central, que esteve 15 épocas ao serviço do clube e disputou 498 jogos, adiantou que entraram jogadores novos na equipa, "muito novos", pelo que apelou a uma maior paciência "para construir uma equipa", alertando ainda que o Benfica precisa "de criar uma filosofia de jogo que seja forte".


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