Congresso quer fazer balanço das conquistas e falhas da Autonomia

Promovido por três socialistas, Congresso da Autonomia pretende ser um espaço aberto à sociedade civil onde o balanço dos últimos 50 anos não se fique pelas conquistas, mas também pelo que está ainda por concretizar. Realiza-se a 23 de maio, em Ponta Delgada



Mais discussão crítica e visão de futuro, do que celebração. É assim que será o Congresso da Autonomia, evento que está a ser promovido pelo Compromisso com os Açores, movimento cívico formado por três militantes do Partido Socialista (José San-Bento, Nuno Tomé e Pedro Arruda), e que se realizará no dia 23 de maio, na Biblioteca Pública Regional de Ponta Delgada.

A conferência de imprensa de apresentação - tanto do Compromisso Açores, como do Congresso da Autonomia - teve lugar ontem, dia 2 de março, 131 anos depois do primeiro decreto de Autonomia Administrativa dos Distritos dos Açores, numa unidade hoteleira, em Ponta Delgada.

O movimento cívico nasce movido pelo momento, que classificam de “particularmente exigente” para a região e para a democracia, seja pela “preocupante crise demográfica”, pelos “sinais alarmantes de crise económica e financeira, pobreza persistente e de falta de coesão entre as ilhas”, pela “incompreensão estrutural do país face à realidade insular” ou pelo “governo fragilizado, sem ânimo, sem rumo claro, e uma solução governativa esgotada na sua própria sobrevivência”.

“A este quadro soma-se um clima de pessimismo e desânimo que tem contaminado amplos setores sociais e económicos da Região. Levando à ameaça crescente dos populismos, da polarização e dos extremismos. Não é possível continuar pelo mesmo caminho. É urgente mudar de rumo”, afirmou José San-Bento.

Apesar dos fundadores sejam todos socialistas, San-Bento deseja que o Compromisso com os Açores seja agregador, “um campo aberto à sociedade civil, aos independentes, à academia e a todos os que acreditam na centralidade democrática, na moderação, no reformismo e na responsabilidade institucional”.

Mas é um movimento que “não é contra ninguém”, mas “a favor dos Açores e da Autonomia”, pelo que espera que a participação seja alargada.

“Não negamos a nossa filiação no PS, mas é uma iniciativa autónoma do partido. Esta fórmula tem outra flexibilidade que permitirá abranger segmentos sociais, personalidades, instituições, que, tradicionalmente, não estão disponíveis para colaborar com outro tipo de iniciativas, mais ligadas a partidos, mais institucionalizadas”.

O convite será aberto a todas as forças políticas, “exceto aquelas que, manifestamente, não se enquadram naquilo que consideramos o arco democrático”, afirma Pedro Arruda.

“Não queremos cair no erro de, nem excluir a direita, nem excluir a esquerda. O PSD e os representantes históricos do partido naquilo que foram os 50 anos da Autonomia vão ser convidados a estar presentes. Assim como o percurso do PS será assinalado. Onde nós estabelecemos a linha vermelha é nos partidos populistas, polarizadores e que não querem debater os assuntos de uma forma democrática”, acrescenta, afirmando que um dos motivos que levou à criação do Congresso da Autonomia foi a ausência do PS no primeiro momento de celebração dos 50 anos da Autonomia Regional, promovido pelo Governo Regional dos Açores.

O Congresso será, portanto, um momento de balanço, pesando as conquistas dos últimos 50 anos, de um lado; e as persistentes falhas que ainda subsistem nas nove ilhas. E procurar perspetivar para onde deverá caminhar a Região no futuro, em desafios como a demografia, a economia, o ambiente e a democracia, entre outros.

“Queremos que seja um momento intergeracional, juntando a experiência das pessoas que viveram a Autonomia com novos valores, que os há nos Açores”, explica Nuno Tomé. No final do congresso, sairão atas onde fiquem plasmados os debates e as posições defendidas, “para que tenhamos uma base de construção de políticas para o futuro”.

“PS/A não se pode limitar a esperar que o desgaste da governação lhe abra caminho”

O Compromisso com os Açores pretende ser “uma nova plataforma de reflexão e intervenção cívica e política”, contribuindo para a construção de uma “alternativa sólida para a Região”, mas assume que “não é contra ninguém, mas sim a favor dos Açores e da Autonomia”.

Além das críticas aos atuais inquilinos do Palácio de Santana, também expressa a sua opinião sobre a postura do maior partido da oposição, o PS/Açores. “O PS-Açores não se pode limitar a esperar que o desgaste da governação lhe abra caminho. Tem de merecer a confiança dos açorianos”, afirmou José San-Bento.

Questionado se o movimento seria uma espécie de “sombra” ao partido, atualmente liderado por Francisco César”, San-Bento disse que “não vale a pena especulações jornalísticas sobre isso. Nós estamos aqui para falar do Compromisso e do Congresso. Se vai haver pessoas ou partidos que se vão sentir melindrados com essa iniciativa, cometem um erro. A iniciativa não deve ser hostilizada. Todos vão receber os convites e espero que participem”.


PUB

Promovido por três socialistas, Congresso da Autonomia pretende ser um espaço aberto à sociedade civil onde o balanço dos últimos 50 anos não se fique pelas conquistas, mas também pelo que está ainda por concretizar. Realiza-se a 23 de maio, em Ponta Delgada