Jorge Barros, nascido em Alcobaça, em outubro de 1944, é autor em mais de 30 livros e esteve presente em centenas de exposições.
Trabalhou com Orlando Ribeiro em "Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico", com companhias de teatro como a Comuna, A Barraca e O Bando, foi assessor técnico da XVII Exposição de Arte, Ciência e Cultura (1983), dedicada aos Descobrimentos Portugueses, tendo publicado "Portugal e o Mar", com Rui Rasquilho, e tem muitas das suas obras associadas a autores como Eugénio de Andrade, Fernando Assis Pacheco, Fernando Dacosta, Helena Vaz da Silva, João de Melo, José Cardoso Pires, Lídia Jorge, Manuel Alegre, Miguel Torga e Mário Cláudio.
No seu percurso, os Açores destacam-se, em particular no seu último livro editado, "Romeiros da Fraternidade" (2024), com prefácio de Onésimo Teotónio de Almeida, culminando testemunhos como "Solenidades dos Açores" (1990), "Aproximações" (2009), "Baleeiro - Um Rochedo do Mar" (2015), "Corvo, a Ilha da Sabedoria" (1996), "O Príncipe dos Açores" (1996), "Vitorino Nemésio – Sem Limite de Idade" (2002), "Escrito no Mar – Livro dos Açores" (2008), "Ilhas Desconhecidas" (2012), com base na obra de Raul Brandão, e "São Miguel – Ilha de Alquimias" (2015).
"O Tempo e a Alma" (1986), "Mensagem" (1990), a partir de Fernando Pessoa, "Um Olhar Português" (1991), "Mineiros" (2001), "Festas e Tradições" (2002-2003) e "Sob a Terra" (2008) são alguns dos seus títulos.
A sua primeira exposição, "As Pedras e as Gentes" (1980), deixou marcado o testemunho das seguintes, com atenção ao quotidiano, à vida e às histórias de pessoas, destacando-se "Portugal" (1981), "Solenidades dos Açores" (1990), "Maresia" (2019), "Máscara" (2020-2021) e, a mais recente, "Açores – Silêncio e Ser" (2021).
Em plenos anos da 'troika' expôs "Aproximações" (2012), em colaboração com escritores como Alice Vieira, Armando Silva Carvalho, Hélia Correia, Jaime Rocha e Vasco Graça Moura, mostra que afirmou ser o seu "manifesto pessoal contra o desinvestimento na cultura”.
Como fotógrafo, trabalhou em cinema e televisão. No cinema, foi assistente de realização de Rui Simões, em "Bom Povo Português", trabalhou com Luís Galvão Teles, em "Confederação", e com Fernando Lopes, no documentário "Lisboa".
Trabalhou também para as revistas Atlantis e Egoísta, para o Jornal de Letras, Artes e Ideias (JL) e em livros de filatelia dos CTT, como "Arquitetura Popular Portuguesa" e "Aldeias Históricas de Portugal".
Jorge Barros foi formador em fotojornalismo no Cenjor, organizou encontros e exposições de fotografia, e pertenceu à direção da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), entre 2003 e 2006.
Em entrevista ao JL, em 2024, disse que, na fotografia, procurou sempre “o encanto que é o milagre da vida, nos gestos, rostos e olhares das pessoas". Na introdução ao livro "Ilhas Desconhecidas", escreveu: "O amor para com os outros é o melhor de nós”.
O jornalista Fernando Alves dedicou hoje "ao grande fotógrafo" Jorge Barros a sua crónica Sinais, na TSF, falando do seu próximo livro, "Espantalhos e Campos", obra ainda a editar.
"Jorge correu Portugal fotografando os seus mistérios telúricos, os seus abismos, os rostos e o espanto dos que, neste chão, continuam peregrinando uma espécie de destino ou de penitência", descreveu Fernando Alves.
"Talvez, entretanto, algum espantalho em altas funções lhe atribua uma mais do que justa honraria póstuma", disse Fernando Alves. "Talvez alguém mostre ao Presidente [da República, António José] Seguro, na jornada do 10 de junho, em terras açorianas, as fotografias de Jorge Barros. Talvez alguém, em nosso nome, lhe diga obrigado".
