“Nós tivemos numa circunstância muito específica: tivemos um acumular de utentes com doença oncológica no serviço de urgência. Tivemos que criar uma resposta alternativa, um plano de contingência e, portanto, nessa circunstância absolutamente excecional, tivemos que fazer aquilo que neste edifício principal do HDES não era a prática corrente, ou seja, num serviço de internamento, num quarto duplo, colocar dois utentes de géneros distintos”, explicou.
Pedro Brázio realçou ainda que a decisão ocorreu após se ter falado com os utentes, que concordaram. “A situação que foi exposta na comunicação social aconteceu por um período inferior a 12 horas”, contou.
No entanto, para acautelar circunstâncias futuras e evitar que o HDES voltasse a incorrer numa situação não procedimentada, o Conselho de Administração e a Direção Técnica determinaram critérios para um procedimento de internamento misto.
“Esta será uma situação absolutamente excecional, quando absolutamente justificada, quando não houver nenhuma alternativa possível e para ser automaticamente revertida assim que tivermos vagas de internamento”, afirmou, acrescentando: “Em quatro semanas desde que se definiu o procedimento, não houve necessidade de voltar a recorrer a ele".
Pedro Brázio explicou ainda que no edifício do Hospital Modular, a conceção do próprio edifício, por ser uma estrutura provisória para emergências e calamidades, é em open space, existindo já internamento misto.
Realçou também que, num futuro edifício reconstruído ou remodelado, se espera que as enfermarias tenham quartos individuais com potencial para internamento duplo, mantendo a lógica de separação entre homens e mulheres.
Refira-se
que, no edifício principal do Hospital do Divino Espírito Santo, embora a
regra seja a segregação por géneros no internamento geral, existem
serviços que já funcionam de forma mista, nomeadamente os Cuidados
Intensivos e os Cuidados Intermédios.
