Política

Congresso do PS francês começa em clima de inimizade

Congresso do PS francês começa em clima de inimizade

 

Lusa/AOonline   Internacional   14 de Nov de 2008, 16:24

O congresso do Partido Socialista francês, destinado a definir um projecto e lançar um novo chefe, começou em Reims (nordeste) num clima de inimizades profundas e de conluios que ameaçam transformá-lo num fiasco.
O actual primeiro secretário François Hollande lamentou o facto dos socialistas serem "sempre arrastados pelo demónio da ambição pessoal".

    Face à emergência de Ségolène Royal, de 55 anos, cujo projecto ficou para surpresa geral à frente no voto dos militantes a 06 de Novembro, os principais concorrentes reuniram-se algumas horas antes do início do congresso para a tentar contrariar.

    Além da designação do sucessor de Hollande, antigo companheiro de Royal e pai dos seus filhos, há 11 anos à frente do PS, está em jogo a eleição presidencial de 2012, dado que o primeiro secretário pode aparecer como o candidato natural ao escrutínio.

    A antiga candidata presidencial, que exprimiu o seu "desejo" de dirigir o PS, deve anunciar sábado de manhã a decisão de se apresentar ou não como candidata, segundo uma fonte próxima.

    Mas o projecto de Royal, caracterizado por uma abertura ao centro ao mesmo tempo que retoma temáticas de esquerda, só obteve uma maioria relativa de 29 por cento, o que a obriga a fazer alianças.

    O presidente da Câmara de Paris, Bertrand Delanoe, de 58 anos, obteve 25 por cento dos votos dos militantes, Martine Aubry, 58 anos, 24 por cento e Benoit Hamon, 41 anos, que representa a ala esquerda do partido, 18 por cento.

    "É um congresso delicado dado que nenhuma moção tem a maioria", reconheceu François Hollande.

    Enquanto Martine Aubry rejeitou quinta-feira a proposta de síntese apresentada por Ségolène Royal, Benoit Hamon declarou-se "perto de um acordo" com Aubry.

    Por seu turno, Bertrand Delanoe, cujos partidários estão muito divididos em relação a Ségolène Royal, mostrou-se prudente na resposta à ex-candidata presidencial socialista, insistindo nas "diferenças" que os separam.

    O presidente da Câmara de Lyon, Gérard Collomb, apoiante de Royal, advertiu que uma "frente 'Tudo menos Ségolène Royal' será catastrófica para o PS e será aos olhos dos franceses um erro que não (nos) perdoarão".

    Estas divisões no seio do PS fazem ressurgir nas memórias o congresso fratricida de Rennes, em Março de 1990, que conduziu à divisão da família socialista, de que o partido ainda se ressente.

    As lutas entre socialistas no congresso de Reims poderão ainda prejudicar a imagem do PS, que parece não ter um projecto alternativo credível à política do presidente Nicolas Sarkozy, cuja popularidade tem recuperado devido à gestão da crise financeira.

    "Quando as perspectivas económicas são más, as hesitações dos socialistas para encontrar uma linha política e um chefe estão muito longe das preocupações dos franceses", considera o diário francês Le Parisien, sublinhando que o congresso de Reims decorre no fim-de-semana da cimeira do G20 sobre a crise financeira em Washington.

    Segundo uma sondagem para o diário Le Monde, só 31 por cento dos franceses confia no PS para a luta contra o desemprego e 34 por cento pelo poder de compra. Cerca de 55 por cento considera que o partido atravessa uma "crise profunda e duradoura".

    Entre 4.000 e 5.000 pessoas são esperadas no congresso que termina domingo. O essencial passar-se-á nos bastidores, com um momento chave, a "noite das resoluções" de sábado para domingo, em que uma comissão tentará encontrar uma "síntese".

    Maioria ou não em Reims, o futuro primeiro secretário será eleito directamente pelos militantes a 20 de Novembro.

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