O líder do executivo, o social-democrata José Manuel Bolieiro, disse numa comunicação política feita no primeiro dia do plenário de junho do parlamento açoriano, na Horta, que os Açores “reforçam a soberania portuguesa no Atlântico” e considerou essencial que Portugal “comece a reconhecer, de forma mais clara e objetiva”, a importância geopolítica e geoeconómica do arquipélago.
Nas reações que se seguiram, o líder parlamentar do maior partido da oposição, o socialista Berto Messias, saudou o Presidente da República pela decisão de promover o 10 de Junho na região e deixou alguns reparos ao discurso do líder do executivo açoriano de coligação PSD/CDS-PP/PPM que abordou questões que “não são novas”, mas devem merecer atenção.
“Quando estão em causa questões de grande relevância do ponto de vista económico, do ponto de vista estratégico, do ponto de vista financeiro, como é por exemplo a questão do mar, não nos deslumbremos com o que nos chega de fora […]. Preparemo-nos devidamente para a defesa dos nossos interesses, com firmeza e com preparação”, exortou.
Berto Messias salientou ainda que “estão em causa desafios muito relevantes” para o futuro dos Açores, como o mar, as economias emergentes e o espaço, que “são matérias altamente apetecíveis” do ponto de vista económico para entidades privadas externas.
Por sua vez, o líder parlamentar do Chega, José Pacheco, disse ter ficado com a sensação que o discurso de José Manuel Bolieiro era aquele que o governante “queria fazer no Dia de Portugal e não o fez”.
“Foi um discurso redondo, bonito. […] Nós andamos há 50 anos a dizer que somos estratégicos, que temos clima, que temos natureza. E isso o que é que nos tem valido? Muito pouco”, afirmou.
José Pacheco criticou também a “visão centralista que há sobre os arquipélagos” e disse que a República “pouco ou nada quer saber” da região em vários aspetos, como a mobilidade e a segurança.
Já Nuno Barata, parlamentar único da IL, disse que os Açores têm tido “um papel fundamental na expressão de Portugal no Atlântico”, mas, mais do que isso, têm “importância fundamental na projeção daquilo que é a nova ordem mundial e a nova estratégia da autonomia para a Europa” e desempenham um “papel preponderante” na vigilância marítima e dos cabos submarinos, na monitorização ambiental
Contudo, alertou, “a incapacidade do Governo Regional dos Açores se relacionar com Lisboa, que ficou bem patente no caso do subsídio social de mobilidade e no caso dos subsídios aos agricultores […]” deixa os açorianos preocupados.
O parlamentar único do BE, António Lima, considerou, por outro lado, que o líder do executivo regional abordou várias áreas, mas “peca pela falta de concretização da política do Governo” para muitas delas, como em relação ao mar e ao espaço.
Já na geopolítica e na segurança e defesa, acrescentou, assiste-se a uma “tentativa” do executivo açoriano de “cavalgar” a lógica transnacional evidente na política internacional.
“É preocupante quando hoje sabemos que o próprio Governo da República pretende iniciar um processo de revisão do acordo bilateral com os Estados Unidos”, apontou.
Pelo PSD, o líder parlamentar, João Bruto da Costa, destacou que o presidente do Governo Regional deu “um passo decisivo” na afirmação daquela que é a posição dos Açores “perante as novas exigências do planeta, da segurança internacional, do clima, das transições energéticas e digitais e daquilo que significa a presença dos Açores no Atlântico Norte”.
“A soberania do Atlântico Norte depende, em primeiro lugar, do povo dos Açores. […] O nosso mar é o nosso quintal e no nosso quintal devemos ser nós os primeiros a ter a oportunidade de dizer o que queremos para o nosso futuro e para o futuro do nosso povo”, referiu.
Pedro Pinto, líder parlamentar do CDS-PP realçou que o valor dos Açores é conferido pela geografia e defendeu que a questão da Base das Lajes (Terceira) merece “uma visão estratégica” definida pelos Açores junto da República e junto das autoridades europeias e da comunidade internacional.
Por fim, o parlamentar único da PPM, João Mendonça, enalteceu a “excelente reflexão sobre os Açores e o que eles significam, do ponto de vista estratégico, para o país” feita por José Manuel Bolieiro.
