Cimeira ibera americana com Cuba na mira


 

Lusa/Ao On line   Internacional   21 de Nov de 2009, 06:48

Cuba, tradicionalmente um país em destaque nas cimeiras ibero-americanas, é alvo de um embargo imposto pelos Estados Unidos em 1962 que constitui a mais antiga sanção do género em vigor e um dos últimos vestígios da Guerra Fria.

Nas duas últimas cimeiras ibero-americanas, em 2007 no Chile, e em 2008 em El Salvador, foram aprovados comunicados especiais defendendo o fim do embargo norte-americano a Cuba.

John F. Kennedy foi o Presidente norte-americano que decretou a 3 de Fevereiro de 1962 um embargo económico, comercial e financeiro contra Cuba, uma ilha situada a 150 quilómetros da costa da Flórida, depois da viragem pró-comunista registada neste país e da nacionalização de sociedades americanas pelo líder da revolução cubana, Fidel Castro.

Os efeitos do embargo foram durante muitos anos compensados por Moscovo, mas o desmoronamento da União Soviética em 1991 provocou uma crise económica sem precedentes.

Cuba calcula que "o mais velho embargo do mundo" causa um prejuízo de 96 mil milhões de dólares à sua economia e já denunciou a situação 18 vezes na Assembleia-Geral da ONU.

"Pedimos ao Governo dos Estados Unidos da América que cumpra o disposto em dezassete resoluções sucessivas aprovadas na Assembleia Geral das Nações Unidas e ponha fim ao embargo económico, comercial e financeiro que mantém contra Cuba", referia o comunicado da cimeira ibero-americana há um ano.

Este ano, a Assembleia Geral da ONU voltou a analisar a situação e no final de Outubro exortou de novo os Estados Unidos a levantarem o embargo, numa resolução aprovada com 187 votos a favor, três contra e duas abstenções. Os votos contra vieram dos Estados Unidos, de Israel e de Palau.

O embargo foi aliviado pelo Presidente Clinton em finais de 2000 para permitir a venda de produtos alimentares e farmacêuticos a Cuba, um país que importa 82 por cento dos alimentos consumidos.

Os Estados Unidos tornaram-se desde então os primeiros fornecedores de bens alimentares do país.

George W. Bush reforçou o bloqueio e reduziu as autorizações para envio de fundos e para visitas de cubanos residentes nos EUA à ilha, mas estas restrições foram suprimidas este ano por Barack Obama.

Em declarações recentes, o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, Miguel Ángel Moratinos, assegurou que o Presidente cubano, Raul Castro, irmão e sucessor de Fidel Castro, acolheu com satisfação a "nova atitude" de Barack Obama.

Raul Castro "acolheu positivamente a eleição de Obama, por quem tem grande respeito", disse o ministro espanhol, no final de uma visita de dois dias a Cuba.


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