Cientistas admitem envenenamento de Arafat

Cientistas admitem envenenamento de Arafat

 

Lusa/AO online   Internacional   14 de Out de 2013, 15:37

Especialistas suíços confirmaram a existência de vestígios de polónio nas roupas que Yasser Arafat usava, o que reforça a possibilidade de o líder palestiniano ter sido vítima de envenenamento.

No relatório que foi publicado durante o fim de semana na revista The Lancet, a equipa de investigadores fornece detalhes científicos sobre as declarações que fizeram à imprensa em 2012 sobre a descoberta de polónio nas roupas de Arafat.

Yasser Arafat morreu em França no dia 11 de novembro de 2004 com 75 anos, mas os médicos não conseguiram determinar a causa do óbito.

Na altura, a autópsia não foi realizada por ordem da viúva do líder palestiniano.

Os restos mortais de Arafat foram exumados em novembro de 2012, tendo sido retiradas amostras no sentido de investigar se tinha sido envenenado, uma suspeição que surgiu após o assassinato do ex-espião russo Alexander Litvninenko, em 2006.

As investigações foram desenvolvidas, separadamente, por equipas em França, Suíça e Rússia.

No texto publicado pela Lancet, oito cientistas que trabalham no Instituto de Física Radioativa e no Centro Universitário do Instituto de Medicina Legal de Lausana, Suíça, disseram que fizeram testes radiológicos em 75 amostras.

De acordo com o relatório, 38 amostras foram feitas a utensílios e peças de vestuário que pertenciam a Arafat, incluindo roupa interior, um chapéu, uma escova de dentes, um gorro hospitalar e roupa desportiva que foi fornecida por Suha Arafat, a viúva do líder palestiniano.

Estes utensílios foram verificados e contrastados a 37 amostras de “referência” de roupa de algodão que estava guardada no sótão e protegida da poeira ao longo de 10 anos.

“Algumas amostras que continham vestígios de fluidos (sangue e urina) continham presença elevada de polónio 210, comparando com as amostras de referência”, refere o relatório.

“Estas descobertas defendem a possibilidade de envenenamento de Arafat com polónio 210”, diz o relatório.

As amostras de polónio foram medidas em “vários mBq” ou milibecquerel, uma unidade de radioatividade.

Os testes de computador calcularam os graus da substância e concluíram que os níveis de polónio “são compatíveis com a ingestão letal de vários GBq”, ou alguns milhões de becquerel, em 2004.

Becquerel é a definição da quantidade de material radioativo. O nome é uma homenagem ao cientista Henri Becquerel que partilhou o Prémio Nobel com Pierre e Marie Curie pelos trabalhos sobre radioatividade em 1903.

O relatório acrescenta que os sintomas clínicos de Arafat não podem ser postos de parte, sendo que incluíram náuseas, vómitos, fadiga e dores abdominais.

“Após ser ingerido, o polónio 210 é eliminado parcialmente através das fezes mas a síndrome gastrointestinal, associada à falha de funcionamento de vários órgãos, pode ser a causa de morte”, sugerem os autores do estudo.

Os investigadores escrevem também que sabem que Arafat não apresentou queda de cabelo, um sintoma típico da exposição à radiação e lamentam que não se tenha procedido a investigações após o óbito.

“A autópsia podia ter sido útil neste caso porque, apesar do envenenamento por polónio não ter sido detetado na altura, amostras dos restos mortais poderiam ter sido guardadas para testes posteriores”, escrevem os investigadores suíços.

Em julho de 2012, um dos investigadores, François Bochoud, responsável pelo Instituto de Física Radioativa, disse à estação de televisão Al Jazeera que a equipa tinha encontrado uma quantidade “significativa” de polónio nos utensílios e roupas que pertenciam a Arafat.

“Se (Suha Arafat) quer saber realmente o que aconteceu ao marido (nós precisamos) de ter uma amostra – quero dizer uma exumação”, disse Bochoud em 2012.

Beatrice Schaad, do gabinete de comunicação do Centro Hospitalar da Universidade de Vaudois, responsável pelo instituto, disse hoje à France Presse que o relatório publicado na revista é “uma versão científica” do caso.

“Não há nada de novo, comparado com o que foi afirmado” em 2012, disse a responsável acrescentando que “não há nenhuma conclusão sobre se ele (Arafat) foi envenenado”.


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