Casa Pia tem projecto para o Século XXI


 

Lusa/Ao online   Nacional   22 de Nov de 2007, 08:56

Cinco anos depois do escândalo de abusos sexuais na Casa Pia, a instituição abandonou o modelo tradicional de acolhimento de crianças e jovens em grandes lares fechados e dentro do espaço dos colégios, optando por acolhê-los em pequenas residências.
Esta medida da direcção da instituição insere-se numa das linhas orientadoras da reestruturação em curso e que, segundo a presidente do Conselho Directivo, tem como acção prioritária a prevenção precoce de situações de risco.

    O projecto da Casa Pia para o século XXI visa a desmassificação da instituição, traduzindo-se na redução do número de crianças e jovens internados nos antigos colégios, a definição de modelos de lares para crianças e jovens de pequena dimensão, a qualificação dos recursos humanos e a aposta num modelo de formação profissional de qualidade.

    Actualmente 80 por cento dos cerca de 400 alunos internos da Casa Pia vivem em apartamentos ou moradias espalhadas pela grande Lisboa.

    Apenas cerca de 80 crianças e jovens estão ainda nos lares tradicionais, instalados no perímetro dos colégios.

    Segundo a responsável pela instituição, Joaquina Madeiras, 64 por cento dos lares estão já fora dos estabelecimentos de ensino da Casa Pia onde, garante, têm um maior e mais eficaz acompanhamento, já que são seguidos por equipas técnicas especializadas.

    "Dos 23 lares, 15 já estão na comunidade. Cada lar é constituído por uma equipa educativa e o projecto de vida para as crianças é estruturado. São grupos familiares de 14 a 15 crianças com quatro educadores e dois vigilantes nocturnos que vivem em ambiente familiar", disse Joaquina Madeira, em entrevista à Lusa em Outubro.

    Estes educadores, adiantou Joaquina Madeira, são acompanhados por uma equipa técnica de psicólogos e assistentes sociais que os supervisionam, emitindo relatórios diários da vivência naquele espaço.

    Este modelo que está a ser desenvolvido, adiantou, vai ao encontro das necessidades das crianças porque permite uma relação mais próxima e um ambiente afectivo.

    Joaquina Madeira defendeu ainda em declarações à Lusa que esta nova forma de acolhimento permite que as crianças e jovens estejam inseridos na sociedade em vez de permanecerem em regime fechado, uma vez que os alunos frequentam as escolas públicas próximas das suas residências.

    No passado, explicou, havia 30 meninos com três monitores, actualmente existem 12 a 14 meninos com quatro monitores e dois vigilantes.

    No campo da formação profissional, a aposta vai para a criação de outras áreas além das tradicionais, como a marcenaria ou relojoaria, abrindo ao ambiente, tecnologia, arte e turismo, entre outras. Pretende-se também incentivar uma prática de associativismo entre os jovens.

    Joaquina Madeira defendeu um modelo de "transparência" para o futuro da instituição, sendo para isso implementadas avaliações internas e externas e criado um Conselho de Curadores, nomeado pelo ministro da tutela e composto por pessoas exteriores à Casa Pia, com "disponibilidade para ouvir crianças e pais".

    "A Casa Pia tem trabalhado para sair de uma fase lunar e entrar numa fase solar", disse.
Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.