Açoriano Oriental
Presidenciais
Candidatos avançam para campanha incerta com menos pessoas e mais precauções

Menos pessoas, recintos com regras mais apertadas, comícios ‘online’ ou arruadas com máscaras são algumas das alternativas que os candidatos a Belém contam adotar para uma campanha presidencial marcada pela incerteza no contexto de pandemia da covid-19.


Autor: AO Online/ Lusa

A campanha oficial a Belém ainda nem arrancou e já está condicionada pela pandemia que tem tido uma evolução significativa nos últimos dias, o que obrigou as sete candidaturas presidenciais a adotar novas medidas de segurança nos eventos a realizar, ainda que a agenda para os dias 10 a 22 de janeiro seja bastante incerta.

O atual Presidente e recandidato, Marcelo Rebelo de Sousa, está em vigilância e impedido de se juntar a "aglomerações significativas" até ao dia 18 de janeiro, na sequência do contacto com um elemento da sua Casa Civil infetado com o novo coronavírus, pelo que até esse dia não tem qualquer ação de campanha prevista.

Nesse sentido, e apesar de o contacto ter sido considerado de baixo risco pelas autoridades de saúde, Marcelo terá uma agenda ocupada sobretudo com entrevistas, cerca de meia dúzia, durante o período oficial de campanha para as eleições presidenciais de 24 de janeiro, que começa no domingo, dia 10, e debates com outros candidatos.

Admitindo que a forma como irá decorrer a campanha é “uma incógnita total”, a candidatura da socialista Ana Gomes conta realizar visitas mantendo o modelo até agora adotado para a pré-campanha, com a redução de pessoas, exemplificando que “houve situações em que só foi permitido estar 10% da lotação, num espaço com lotação para 300”.

O candidato apoiado pelo Chega, André Ventura, não deverá abdicar de alguns formatos habituais de campanha, adaptados à pandemia.

A agenda do deputado para os primeiros dias oficiais de estrada prevê a realização de arruadas, comícios e concentrações, com recurso a regras sanitárias como a utilização de máscara, estando a restante campanha dependente da evolução do contexto pandémico.

Quanto à candidata bloquista Marisa Matias, o diretor de campanha, Adriano Campos, adiantou à Lusa que todas as iniciativas serão adaptadas ao contexto de pandemia, sendo que “nunca estiveram previstas arruadas, nem almoços ou jantares de campanha” e que todos os elementos e jornalistas que acompanham a eurodeputada serão testados ao novo coronavírus.

O modelo dos comícios foi ajustado e já testado com uma versão onde os participantes estarão maioritariamente online e apenas alguns presencialmente, no local onde se realizam, de forma a cumprir as regras sanitárias.

Por seu turno, o dirigente comunista João Ferreira, que tem sido dos mais ativos na pré-campanha, já fez saber que a programação da sua campanha “está em revisão, designadamente com a anulação de ações de almoços, jantares, arruadas e desfiles”.

“Serão mantidas iniciativas de esclarecimento, cujas características e organização permitam assegurar todas as condições de proteção sanitárias, nomeadamente sessões públicas”, pode ler-se na nota enviada à comunicação social.

Fonte oficial da candidatura do liberal Tiago Mayan Gonçalves garantiu que a campanha será “pautada pela responsabilidade e bom senso”, que os eventos serão “sempre planeados com poucas pessoas” e em caso de um confinamento mais restrito, serão realizados eventos ‘online’ como forma de chegar aos eleitores.

Já Vitorino Silva, fundador do RIR (Reagir, Incluir, Reciclar), pretendia inicialmente fazer uma campanha mantendo o contacto “porta a porta” com a população, contudo, face ao aumento no número de infeções e óbitos diários registado nos últimos dias, o candidato garantiu que vai alterar a campanha em função da evolução da pandemia.

“Se o povo for para casa eu também vou. Não quero as mordomias dos partidos”, disse o candidato, que já chegou mesmo a defender o adiamento das eleições.

As eleições presidenciais, que se realizam em plena epidemia de covid-19 em Portugal, estão marcadas para 24 de janeiro e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.



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