Reforçada segurança nos aeroportos da Região devido à guerra

Ofensiva israelo-americana contra o Irão levou a Polícia de Segurança Pública a reforçar o efetivo em áreas junto dos aeroportos da Região, medida enquadrada pelas decisões do Gabinete Coordenador de Segurança que avalia o nível de risco e de ameaça



A ofensiva israelo-americana contra o Irão levou a Polícia de Segurança Pública a reforçar o efetivo em áreas junto dos aeroportos dos Açores.

​Ao Açoriano Oriental, o porta-voz do Comando Regional dos Açores, comissário Eurico Machado, explicou que, à semelhança do que se passa no território nacional, a PSP terá um “reforço do policiamento de área junto dos aeroportos”, sendo que, além desta medida, será estabelecido um contacto próximo com os responsáveis diplomáticos e haverá “um aumento da capacidade de pesquisa e tratamento de informação, bem como do nível de capacidade de resposta a incidentes”.

Esta medida surge após reunião extraordinária do Gabinete Coordenador de Segurança (GCS), com a presença de vários ministros e chefias das forças de segurança (PSP, PJ, GNR), devido à situação no Médio Oriente, onde se avaliou o nível de risco e de ameaça aos interesses de alguns países.

Num comunicado, o Sistema de Segurança Interna esclareceu que a reunião do Gabinete Coordenador de Segurança teve como objetivo “avaliar a evolução da situação no Médio Oriente e as suas potenciais repercussões na segurança interna, designadamente ao nível da proteção de infraestruturas críticas, do controlo de fronteiras e da salvaguarda dos espaços marítimo, aéreo e do ciberespaço”.

Acrescenta ainda que manterá a monitorização permanente, garantindo a adoção das medidas adequadas à salvaguarda da segurança interna e da tranquilidade pública.

Israel e Estados Unidos lançaram, a 28 de fevereiro, uma ofensiva ao Irão para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, tendo matado o líder supremo iraniano, o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, e grande parte dos altos responsáveis da Guarda Revolucionária.

Ontem, a guerra no Médio Oriente continuava a alastrar-se, tendo abrangido o Azerbaijão, atingido por um ataque de um drone iraniano, e registado a intenção de vários países europeus enviarem meios navais para defenderem Chipre.

Neste contexto, a Espanha e a Itália anunciaram que vão enviar navios de guerra para Chipre para missões de proteção, depois de uma base aérea britânica na ilha ter sido atingida, na segunda-feira, por um drone iraniano.

Os meios destes países vão juntar-se ao porta-aviões francês ‘Charles de Gaulle’ e a outros navios de guerra gregos que já avançaram na terça-feira.

​A Itália também vai enviar ajuda para defesa aérea dos países do Golfo afetados pelos ataques iranianos, segundo anunciou a primeira-ministra, Giorgia Meloni.

​Outros países, como a Alemanha ou os Países Baixos, ponderam seguir o mesmo caminho.

​Entretanto, o secretário da Defesa britânico, John Healey, chegou a Chipre depois de o embaixador cipriota no Reino Unido ter pedido mais cooperação.

Por seu lado, a Rússia afastou a possibilidade de dar ajuda militar ao Irão, garantindo que não foi feito nenhum pedido por Teerão, um aliado próximo de Moscovo.

​Já a União Europeia (UE) e os países do Golfo instaram ontem o Irão a “cessar imediatamente” os “ataques injustificados” contra os países da região e comprometeram-se a “unir esforços diplomáticos” para impedir “atividades desestabilizadoras” do regime de Teerão.

​Este compromisso é assumido numa declaração conjunta divulgada após uma reunião extraordinária, que se realizou por videoconferência, entre ministros dos Negócios Estrangeiros da UE e os seus homólogos dos países do Golfo: Bahrein, Kuwait, Qatar, Omã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Na declaração, a UE manifesta solidariedade com os países do Golfo perante os “ataques injustificados” do Irão e as duas partes instam Teerão a “cessá-los imediatamente”, avisando que “ameaçam a segurança regional e global”.

Entretanto, vários países apressam-se a retirar os seus cidadãos dos países atingidos pela guerra e dez Estados-membros da União Europeia (UE), à exceção de Portugal, já ativaram o Mecanismo Europeu de Proteção Civil para repatriar cidadãos a partir do Médio Oriente, tendo já sido realizados seis voos.

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