O COFIT - Comité Organizador de Festivais Internacionais da Ilha Terceira anunciou a suspensão da 20.ª edição da Feira de Artesanato e Sabores Tradicionais, após a suspensão dos apoios financeiros do Governo Regional.
A decisão também põe em risco a realização do Festival Internacional Folk Azores deste ano: “Nós só não cancelámos ainda o festival porque já há grupos que compraram as suas passagens para a ilha Terceira”, sublinhou Cesário Pereira, presidente do COFIT.
Em conversa com o Açoriano Oriental, o presidente explicou que a organização recebeu um comunicação formal sobre a suspensão dos apoios da área do turismo que estão enquadrados em Decreto Legislativo Regional.
O Centro de Artesanato e Design do Açores (CADA), que tem sido um dos grandes parceiros da feira ao longo destes anos, também negou o apoio para 2026. No ano passado, o CADA contribui com três mil euros, a Direção Regional do Turismo apoiou com 25 mil euros e a Direção Regional da Cultura com 9 500 euros. Já a Presidência do Governo Regional desembolsou 12 mil euros para o evento cultural.
Sem estes montantes, a organização afirma que não existem condições financeiras para garantir a montagem da feira, que implica custos com o palco, som, licenças, transportes, animação cultural e logística: “Os três mil euros já não eram suficientes e sem qualquer apoio é impossível realizar a feira”, disse Cesário Pereira.
Em 2025, o orçamento global do festival e da feira rondou os 120 mil euros. Desse valor, 60 mil euros foram assegurados pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, o restante foi repartido entre apoios regionais, receitas de bilheteira e patrocínios.
Para este ano, o único apoio que a organização ainda conta ter será o da autarquia, embora ainda sem confirmação formal. Ainda assim, só este apoio não garante a viabilidade do festival.
Apesar da suspensão da feira, o Festival Folk Azores ainda está de pé. Estão confirmados cerca de 500 participantes internacionais de vários lugares do mundo, como da Europa, Estados Unidos, América do Sul e outras regiões, além dos acompanhantes e familiares que viajam em conjunto com os grupos.
Sem revisão das decisões governamentais, o festival terá de ser realizado numa versão reduzida: “Vamos fazer o possível com o pouco que tivermos”, admitiu Cesário Pereira.
A Feira de Artesanato e Sabores Tradicionais é um complemento ao festival, onde artesãos certificados da ilha, grupos nacionais e internacionais expõem e comercializam produtos típicos de cada lugar.
A organização garantiu que o impacto deste evento ultrapassa a vertente cultural. Durante o festival, que dura cerca de dez dias, os hotéis, restaurantes, empresas de transporte, comércio local e empresas turísticas registam um aumento significativo da procura e receitas: “A economia direta e indireta que o festival gera é muito superior ao valor dos apoios”, defendeu o presidente.
O COFIT pediu a reavaliação das decisões ao presidente do Governo Regional, mas até agora sem resposta. Além disso, a organização ainda está a aguardar resposta da Direção Regional da Cultura: “Relativamente ao Governo Regional, a resposta que a gente tem recebido é não, não e não”, admitiu Cesário Pereira. Acrescentou ainda que a suspensão dos apoios representa “uma opção política com repercussões na credibilidade internacional dos Açores”, alertando para o risco de fragilizar a promoção turística baseada na cultura.
A justificação do Governo Regional para a suspensão dos apoios prende-se com a execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O presidente do COFIT apenas pede coerência: “Se apoiar um, tem de apoiar todos", sublinhando que até agora, a suspensão tem sido transversal, mas que as contas certas só poderão ser feitas no final do ano.
