O Coliseu Micaelense é palco, amanhã, (23 maio) do espetáculo ‘Bruma’, uma parceria entre a Tarrafo - Associação Cultural, de Coimbra, o 37.25 – Núcleo de Artes Performativas e o coletivo Cara Lavada.
Com direção artística de Adérito Araújo e João Fong, o espetáculo propõe uma abordagem multidisciplinar que “associa música ao vivo, a dança e a palavra, para explorar a relação que existe entre a musicalidade da ilha de São Miguel e o fado de Coimbra”, afirmou Adérito Araújo.
Ao jornal Açoriano Oriental, o diretor artístico explicou que este espetáculo “tem como inspiração a obra de Eduardo Tavares de Melo, um compositor micaelense, que compôs fados de Coimbra, mas que incorporou na musicalidade do fado de Coimbra referências micaelenses, como o mar, as pedras”.
Com direção musical de Ni Ferreirinha, Ricardo Dias e Luís Pedro Madeira, juntar-se-á a interpretação de Hugo Gambóias e a voz de João Moniz, que irão reinterpretar, não só os temas mais notáveis de Eduardo Tavares de Melo, como também de outros criadores e do reportório popular açoriano.
O espetáculo contará com cerca de seis coreografias, com as bailarinas Catarina Medeiros, Cecília Hudec, Giovana Sanchez e Vanessa Canto e, ainda com o ator António Neves da Silva, que dará vida à dramaturgia de Catarina Gouveia.
Para Adérito Araújo tem sido muito interessante fazer deste projeto, porque, se por um lado tem uma “relação pessoal com os músicos e também estou em Coimbra, mas a ideia de poder trabalhar com sensibilidades muito diferentes como as das pessoas que estão na área da dança contemporânea e que são bailarinas - nem todas vivem em São Miguel - mas fazem diferentes experiências artísticas, diferentes abordagens, é uma experiência muito interessante”.
O diretor artístico destaca ainda o “cenário e os figurinos. Acho que são também muito interessantes. Trabalhamos, no sentido de tentar construir um cenário que tenha este duplo sentido, de Coimbra com a ilha. Nos figurinos, vamos buscar referências aos capotes, às capas e batinas, mas são figurinos simples, mas muito versáteis. Portanto, esta experiência de colaborar com pessoas com diferentes origens, com diferentes sensibilidades, neste projeto particular, tem sido muito rico”. O próprio nome do espetáculo ‘Bruma’, tem a ver com “esta ideia das memórias e desta incerteza que a ideia de bruma também transmite. Há aqui uma espécie de incerteza quando partimos”, disse, para acrescentar que “algumas das músicas que vão ser tocadas no espetáculo nunca foram gravadas. Alguns dos fados de Tavares de Melo são originais, no sentido de que nunca foram gravados”.
Questionado
se o público irá ‘viajar’ de São Miguel para Coimbra, Adérito Araújo
refere que “quem for ver o espetáculo irá rever-se nestes dois mundos,
que são dois mundos, não só das pessoas que tiveram a experiência de
viver em Coimbra, mas também das pessoas que balançam um bocadinho, às
vezes, nesta ideia de partir, de chegar e de regressar”, finaliza.
