Bhutto pede mais protecção ao governo

Bhutto pede mais protecção ao governo

 

Lusa / AO online   Internacional   19 de Out de 2007, 16:58

A ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto pediu ao governo de Pervez Musharraf mais meios para a sua protecção, após o ataque contra a sua caravana que fez pelo menos 139 mortes e 400 feridos, em Carachi.
“Sei que há outros ataques planeados contra mim e confio que o governo fará tudo o possível para que não se materializem”, disse Bhutto numa conferência de imprensa numa sala da sua residência de Carachi, sul do Paquistão.

Apesar de realçar que não culpa o governo pelo ataque, a antiga chefe de governo disse que “sabia que ia haver um atentado” e que entregara uma carta ao presidente paquistanês, general Pervez Musharraf, em que dava conta do perigo e indicava os nomes de três pessoas que deveriam ser investigadas se algo lhe acontecesse.

“Deixei claro que, se me atacassem, não acusaria os talibãs nem a Al-Qaida, mas sim três pessoas, pois sei muito bem quem são os meus inimigos no exército e nos serviços de informações do Paquistão”, adiantou Bhutto.

“Não culpo o governo, mas sim alguns indivíduos que são membros de uma facção política e abusam da sua posição”, referiu.

A líder do Partido Popular do Paquistão (PPP) acrescentou que “um país muçulmano amigo” lhe transmitiu informações de possíveis ataques por parte de quatro grupos: os talibãs do Afeganistão, os talibãs paquistaneses, grupos ligados à Al-Qaida e “um quarto grupo de Carachi”.

Acrescentou que toda essa informação era do conhecimento do governo paquistanês.

Bhutto, 54 anos, revelou ainda que, algumas horas antes do atentado, as forças de segurança tinham detido um homem com uma pistola e um cinto de explosivos.

Interrogada sobre por que regressara ao seu país se sabia da possibilidade de um atentado, Bhutto sublinhou que dera a sua palavra “ao povo do Paquistão”.

“Sei que haverá gente que pensará que fui ingénua, mas creio que foi a decisão correcta. Temos que se estar preparados para pagar o preço quando se luta por aquilo em que se acredita”, declarou.

Bhutto saiu ilesa, mas as duas explosões quase simultâneas à passagem do seu veículo mataram pelo menos 139 pessoas e feriram cerca de 400, segundo os números de vários hospitais de Carachi.

    A maioria das vítimas eram simpatizantes do PPP que festejavam o regresso da sua líder após quase nove anos de exílio, mas entre os mortos havia também cerca de meia centena de membros das forças de segurança, segundo a própria ex-primeira-ministra.

Bhutto denunciou as falhas de segurança durante o percurso da sua caravana e queixou-se de que “não havia iluminação” na estrada onde se registou o atentado.

Algumas horas antes da conferência de imprensa de Bhutto, o ministro do Interior paquistanês, Aftab Ahmed Jan Sherpao, referiu as dificuldades para garantir a segurança numa marcha como a da líder do PPP e explicou que lhe tinha sido oferecido um helicóptero para se deslocar, o que ela recusou.

Bhutto considerou que o ataque foi dirigido contra os valores que ela encarna.

“Vejo o atentado, não como um ataque contra um indivíduo, como um ataque contra mim, mas sim contra o que represento. Foi um ataque contra a democracia, a unidade e a integridade do Paquistão”, sublinhou.

Bhutto regressou ao Paquistão após chegar a um acordo com Musharraf, pelo qual são anulados os processos por corrupção de que é alvo no país, apesar de a validade dessa ordem estar dependente de uma decisão do Supremo Tribunal.

Musharraf telefonou esta sexta-feira à ex-primeira-ministra, transmitiu-lhe a sua “profunda dor” pelo atentado e garantiu uma minuciosa investigação para encontrar os culpados.

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