BE leva hoje a debate no parlamento crise da habitação, 25 dias de férias e nova licença para pais

O controlo de rendas, o regresso dos 25 dias de férias anuais ou uma nova licença para pais com crianças até oito anos são alguns dos projetos que o BE leva a debate no parlamento esta quarta-feira



A discussão no plenário, que não vai contar com a presença do Governo, tem como mote “Vida boa: casa para morar e tempo para viver”, com foco na crise da habitação e nas condições laborais.

Os bloquistas propõem a suspensão, até setembro de 2030, da emissão de títulos de empreendimentos turísticos – com exceção de “empreendimentos turísticos situados nos territórios do interior” - e um conjunto de normas para o controlo de rendas e a estipulação de rendas máximas.

O BE avança também com um projeto de lei que visa “limitar a proliferação de alojamentos locais em imóveis destinados à habitação" criando "zonas de contenção, com limites bem definidos e regras para a caducidade das respetivas licenças”.

“Procura-se ainda preservar a natureza deste tipo de negócio, sempre apresentado como uma atividade de pequenos proprietários como forma de complementar os rendimentos familiares, impedindo a sua exploração por empresas de gestão imobiliária”, lê-se no projeto.

A estes projetos, o BE acrescenta uma resolução, que recomenda ao executivo que oriente a Caixa Geral de Depósitos a baixar os juros do crédito à habitação.

Sobre o “tempo para viver” e as condições de trabalho, o Grupo Parlamentar do BE leva a debate dois projetos de lei: um que visa criar uma nova licença de cinco dias por ano, "sem qualquer justificação ou atestado", para pais com filhos até aos oito anos e outra que propõe o regresso dos 25 dias de férias anuais, retirados pela "intervenção da 'troika'", e o direito a folga no dia de aniversário.

Os bloquistas recomendam ainda ao executivo que “concretize o anunciado projeto-piloto da semana de quatro dias na administração pública e no setor empresarial do Estado, garantindo que este ocorre no segundo semestre de 2024” e que crie no Instituto do Emprego e da Formação Profissional (IEFP) um mecanismo de apoio às empresas privadas e organizações do setor social que pretendam fazer a transição para a semana laboral de quatro dias.

O PS ‘arrastou’ para este debate um projeto de lei que tem como objetivo aprovar o regime jurídico de complemento de alojamento, “alargando-o a estudantes deslocados não bolseiros provenientes de agregados familiares de rendimento anual inferior aos constantes do limite do 6.º escalão de IRS” e a Iniciativa Liberal propõe a revogação do Adicional ao Imposto municipal sobre Imóveis (AIMI), vulgo, “imposto Mortágua”, entre outras propostas.

O Livre quer consagrar o direito ao horário de trabalho de sete horas diárias, 35 horas semanais e 25 dias úteis como período mínimo de férias, bem como férias pagas para estágios profissionais extracurriculares. O partido recomenda também ao Governo que implemente na Administração Pública o programa-piloto da semana de quatro dias, ainda este ano.

O PCP e o PAN propõem também 25 dias úteis de férias anuais para todos os trabalhadores.

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Greve geral

O Governo Regional dos Açores esclareceu que “não fixou quaisquer serviços mínimos” no dia da greve geral, ao contrário do que foi referido pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS)